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Serra de Montejunto |
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Paisagem protegida |
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É a Serra de Montejunto o mirante natural mais alto da Estremadura; linha de cumeadas divisória de zonas climatéricas diferentes; acidente geográfico que, pela sua altitude e dimensão, polariza toda a paisagem que a envolve; estrutura geológica rica em algares, grutas e lagoas residuais; santuário de nidificação de uma avi-fauna invulgar e preciosa; reduto e refúgio de pequenos mamíferos; parque natural de uma flora de transição mediterrânico-atlântica.
Localizada no extremo Sul do concelho do Cadaval e a Norte do concelho de Alenquer, orientada de Este para Oeste, a Serra de Montejunto eleva-se a 666 metros acima do nível médio do mar. É constituída por um maciço calcário onde predominam altas escarpas e gargantas apertadas. Destacamos neste maciço os cabeços de São João, Moinho do Céu, Penha do Meio-Dia, Espigão, Bicha e Monfarinho.
Devido à sua orientação quase concordante com a linha da costa atlântica e ao seu revestimento vegetal, a serra constitui, no eixo Montejunto-Estrela, uma importante fronteira climatérica que separa, meteorologicamente, o Norte-Sul do país. Os seus valores médios anuais de temperatura do ar variam entre 12,5º C e 16º C e a insolação na serra varia de 2 400 a 2 600 horas/ano. A sua pluviosidade é de 800 a 1 000 mm/ano com um total de 75 a 100 dias/ano de precipitação igual ou superior a 10 mm.
Em relação à singularidade da sua estrutura orográfica, já no século XVI Frei Luís de Sousa a descreve como um só monte de pedra, ou uma só pedra antes que Serra. Porque o nome de Serra compreende montes de penedias e rochedos encadeados e continuados com vales e subidas; e esta consta de uma só pedra, ou monte que igualmente cresce e sobe em meio de terras lavradias.
Na linguagem atual, os geólogos referem a serra como um maciço calcário de formação jurássica assinalada por diversas zonas de falhas que assinalam as suas escarpas, os seus vales e os seus planaltos, as suas grutas e algares. Também é rica do ponto de vista paleontológico com importantes jazidas de amonites, turritelas e outros fósseis de interesse científico.
Nela estão referenciados quase uma centena de algares e grutas de grande valor biológico, geológico e mesmo arqueológico, entre as quais citamos: gruta das Fontaínhas, da Salvé-Rainha, algar das Gralhas, Buracos Mineiros, gruta da Rocha-Forte, lapa da Maria Pia e algar do Bom Santo.
Ainda não suficientemente estudado, o revestimento vegetal da Serra de Montejunto é essencialmente constituido por manchas de espécies arbóreas de castanheiros, sobreiros, carvalho e pinheiros, intercaladas com áreas de cultivo e pastoreio; disseminado um pouco por toda a parte, um manto de espécies arbustivas constitui a mancha predominante da serra, rica pela variedade das espécies que apresenta, algumas delas bastante raras como é o caso da orquídea silvestre. Modernamente, e após os grandes fogos, a serra está a ser invadida por uma espécie exótica - o eucalipto. Esta serra, que se apresenta como ilha biológica que emerge em meio de terras lavradias contém uma fauna notavelmente rica quando comparada com a das regiões limítrofes. A pirâmide ecológica reflete o ecossistema da montanha e dela constam mais de uma centena de espécies de aves nidificantes e migradoras, cerca de vinte e cinco espécies de mamíferos e vinte de répteis e anfíbios, constituindo, no seu todo, um dos ecossistemas mais prósperos do centro do país. A título de justificação desta riqueza faunística citamos alguns mamíferos como o manguço ( Herpestes ichneumon), o gato bravo ( Felis silvestris), a gineta ( Genetta, genneta), o texugo ( Meles, meles), e a raposa ( Vulpes, vulpes) e bastantes aves entre as quais destacamos a gralha preta ( Corvus corone), o corvo ( Corvus corax), o mocho galego ( Athene noctua), o peneireiro de dorso malhado ( Falco tinnunculus), a águia de asa redonda ( Buteo, buteo), a águia de Bonelli ( Hieraatus fasciatus), o falcão peregrino ( Falco peregrinus), a coruja das torres ( Tyto alba), o bufo real ( Bubo, bubo), superpredador já extremamente raro na fauna europeia e o quase extinto peneireiro cinzento ( Elanus Caeruleus) já apenas existente em Portugal e Espanha. As riquezas da serra estão defendidas através da criação institucional da figura jurídica de Área de Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. |
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