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| Procissão dos Passos sem chuva
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| Sai à rua sem interrupções desde o século XVII
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Tarde de domingo, o terceiro da Quaresma. O tempo está instável, mas o Sol espreita, a espaços, na Vila Alta. Um roxo profundo contrasta com as casas brancas e complementa o tom das araucárias da Praça Luís de Camões. Os anjinhos brincam enquanto esperam a saída da procissão.
A fanfarra dos bombeiros, que segue na frente, alinha junto à lateral dos paços do concelho. Os tambores, cujo som retumbará minutos depois, anunciam que está próximo o préstito. Aqui e ali, miúdos vestidos de anjo e outros com opas. Os mais pequenos observam a azáfama em volta nos intervalos das brincadeiras. Os mais crescidos põem a conversa em dia. São as crianças as encarregadas de transportar os símbolos da Paixão: sudário, esponja, lanças e dados, entre outras.
Está muita gente reunida nas imediações da Igreja da Misericórdia. Parte veio ver sair a procissão. Entre aqueles que enformam o cortejo, algumas caras novas – as dos irmãos admitidos três dias antes e as dos membros da Irmandade da Misericórdia de São Roque de Lisboa. Os escuteiros preparam-se para a caminhada no início da Rua Maria Milne Carmo. Instrumentos espalhados por debaixo das copas das árvores centenárias são cena rara - os músicos aguardam sinal para formar. A imagem do Senhor dos Passos desenha-se à porta da igreja, com os vagares obrigatórios no manejar de relíquias.
Começa a procissão. Tocam os tambores dos Bombeiros Voluntários da Malveira, em ritmo pesaroso. Seguem-nos os confrades da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo de Alenquer e, entre eles, os anjinhos, de ar barroco, do mais pequenino para o mais crescido, raparigas e rapazes de opa roxa no encalço. As crianças parecem entender a solenidade do momento e deixam as brincadeiras nos bancos da praça do frontispício da câmara. A imagem do Senhor dos Paços é levada em ombros. A adorná-la, lírios roxos. O clero caminha olhando-a, seguido por representantes do concelho e pelos escuteiros de Alenquer. Propaga-se o cheiro a incenso, que parece unir as partes que compõem a procissão. A música tocada pela banda filarmónica da Sociedade União Musical Alenquerense reforça esse efeito.
Antes de descer a íngreme Calçada Francisco Carmo, uma paragem. Ali está colocada, tendo como suporte a parede da Igreja de São Pedro, a primeira estação, ou passo. A escorregadia “Calçadinha” não demove as dezenas de pessoas que acompanham a procissão. Chegada à Igreja do Espírito Santo, a ela se junta a imagem da Senhora das Dores. O Sermão do Encontro, pelo Reverendo Dr. José Jacinto Ferreira de Farias, tem lugar metros à frente.
A Rua Triana e a Avenida dos Bombeiros Voluntários vêem, depois, passar a romaria. O regresso à Vila Alta faz-se pelo Bairro do Areal. Como destino a Igreja de São Francisco, onde é celebrada missa.
Organizada pela Irmandade de Santa Cruz e Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo de Alenquer, a procissão constitui o culminar de quatro dias de cerimónias, com início a 4 de Março. |
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