27 de Abril de 2018
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Homenagem a Manuel Gírio recorda meio século de êxitos teatrais
Trupe de Teatro os 4 e o Burro recordou algumas das suas obras mais marcantes no âmbito da iniciativa “Vamos ao Teatro”
O dramaturgo, encenador e actor Manuel Gírio, foi alvo de uma homenagem póstuma com a leitura encenada de algumas das suas obras, sobretudo de teatro de revista e opereta, escritas ao longo de mais de meio século entre a década de 1950 e a primeira década de 2000.

A homenagem da Trupe de Teatro os 4 e o Burro decorreu a 10 de Março, no teatro Ana Pereira, no âmbito da iniciativa municipal “Vamos ao Teatro”, que ao longo deste mês de Março vai levar peças a vários locais do concelho, para além de exposições e palestras dedicadas à temática.

Participou ainda nesta homenagem a fadista Tina Colaço, e os músicos José Herminio no acordeão e Vítor Grilo na viola baixo, que interpretaram alguns dos fados mais emblemáticos saídos da caneta de Manuel Gírio. “Fado dos Arcos”, “Alenquer tão mimosa”, ou “Alenquer é toda de oiro”, foram algumas das canções acompanhadas pela plateia que esgotou a sala do Ana Pereira, a provar que apesar de alguns terem sido escritos há mais de 30 anos, permanecem ainda bem vivas na memória afectiva sobretudo de uma geração que cresceu a assistir às produções do dramaturgo alenquerense.

Dos quadros das suas revistas e operetas, foram escolhidos 13 rábulas, entre as quais “Oliveira da Quinta”, numa alusão ao ditador Oliveira Salazar, “Anjinho”, “Fonte Luminosa”, “Velha dos Gatos”, e “Poeta Louco”, homenagem de Manuel Gírio aos poetas da Lisboa boémia, sobretudo a José Carlos Ary dos Santos, de quem se ouviu alguns poemas e canções.

O espectáculo terminou com uma gravação de Manuel Girio a recitar o poema “Alegoria para um trompete” de José Manuel Galaia.

Manuel Gírio (Texto lido no inicio do espectáculo)

Pessoas há que pela sua ânsia de ver o mundo e pela sua capacidade de contagiar os outros com esse entusiasmo extravasam a própria vida. Manuel Rodrigues Gomes Gírio era uma dessas pessoas.

Nascido há 92 anos na vila de Alenquer, rapidamente a sua necessidade de ver o mundo para lá da terra que o viu nascer se tornou uma evidência para todos os que o conheciam e sobretudo para ele próprio.

Conheceu as grandes capitais do mundo. Assistiu a espectáculos de Vaudeville em Paris, às encenações de Shakespeare no East End em Londres e às grandes produções da Broadway em Nova York.

É, no entanto, Alenquer que ficará sempre no seu coração e onde produzirá grande parte das suas obras recorrendo a maioria das vezes a actores amadores que ajudou a revelar. Foi caixeiro numa loja de ferragens, depois carpinteiro profissão que o levou ao Canadá onde exerceu o seu oficio durante alguns anos. Data dessa altura o seu primeiro contacto com o mundo maravilhoso da Broadway com as suas luzes, as suas estrelas, a sua aura mística envolta em nomes como Andrew Lloyd Webber ou John Waters.

O seu gosto pelas viagens levou-o a optar mais tarde pela profissão de guia turístico que lhe permitiu também conhecer gentes e costumes que soube como poucos retratar nas suas peças. Figura marcante para Manuel Gírio foi o seu tio Bino como era conhecido pelas gentes de Alenquer, ele próprio um homem de múltiplos talentos e com fortes ligações ao teatro, nomeadamente como dramaturgo cenógrafo e músico.

A primeira revista de Manuel Gírio foi levada à cena pela primeira vez em 1954 em Alenquer com o titulo de “A Cepa Torta”. Depois da revista, a Opereta com “Dia de Festa”, outro êxito confirmando o talento de Manuel Gírio e que seria reposta décadas mais tarde em 1994.

A sua reputação permitiu-lhe contar com nomes consagrados das décadas de 50, 60 e 70 para as suas produções em Alenquer. Cesário Salvador, António Melo, Alves Coelho Filho e Jorge Machado são alguns dos maestros que trabalharam nas suas revistas e operetas, numa verdadeira época dourada da vila em que as sessões esgotavam e ir ao teatro fazia parte da rotina dos seus habitantes.

Foi também autor regular de letras para a marcha de Campolide, algumas delas premiadas e de poemas para fado e revista. As décadas de 60 e 70 foram de sucessivos êxitos teatrais e de amadurecimento como dramaturgo.

Arraial Saloio, Alenquer de Cima a Baixo, Florista da Rua, A Força do Povo, a Menina Pobre e os Cómicos, os Cómicos Vêm Aí, a Nova História da Cigarra e da Formiga, são outros dos nomes de Peças e revistas que escreveu ao longo da sua vida.

Em plena década de 1980, no declínio da revista à portuguesa, provou que o género ainda estava bem vivo no coração do seu público. Água Pé Nova estreada em 1986 foi um êxito estrondoso permanecendo vários meses em cena.

Alenquer deve-lhe alguns dos seus melhores momentos, gerações de actores amadores como Maria Luísa, António Augusto, Carlos Cartaxo, Maria Albertina Lopes ou Álvaro Gomes e tantos outros, devem-lhe a paixão pelo teatro. É este também o legado que nos deixou após o seu desaparecimento. Uma paixão imensa pelo teatro que permanecerá muito para além desta data de tristeza, para todos os que o conheceram, quer através da sua amizade, quer através da sua escrita.

15-03-2018 Fonte: CMA
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