22 de Maio de 2019
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Joaquim Carvalho e a produção de cinema
"À conversa com..."
Joaquim Carvalho
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Joaquim Carvalho estranhou estar do lado de lá, começou por dizer, tantas vezes integrou o público dos colóquios da biblioteca. Com espontaneidade, falou da juventude em Alenquer e do percurso profissional, de que fazem parte nomes sonantes. A designação do evento traduziria a informalidade que o caracterizou.

   À guisa de introdução, contou como reagiu ao convite para o colóquio. Ouviram-se risos quando afirmou que lhe pareceu um risco a sua participação - por não ser conhecido do grande público, desconfiou que só a família mais chegada aparecesse. Talvez mais meia dúzia de pessoas ligadas ao cinema… Enganou-se. Foram mais de 30 os seus interlocutores.

   No princípio dos anos 80, o jovem Joaquim conversava sobre cultura e falta de oferta cultural, de património e falta de atenção para com este. Lisboa parecia estar, nessa altura, mais longe de Alenquer e, por cá, não abundavam iniciativas destinadas aos indivíduos da faixa etária em que se inseria o futuro produtor. Talvez por isso, o interesse por todas as coisas culturais tenha crescido exponencialmente. Entre elas, o cinema. Com o Auditório Damião de Góis sem sessões na altura, Joaquim Carvalho e os amigos estabeleceram contactos para trazer filmes a Alenquer. O projecto não se concretizou, mas estava aberta a porta para a cinematografia.

   O seu interesse não passou despercebido a quem o acolheu no primeiro trabalho na área, decorrido de um acaso. Os conhecimentos sobre cinema português sensibilizaram os entrevistadores. Pouco tempo depois conheceu Paulo Branco, com quem trabalhou durante largos anos.

   As relações que estabeleceu com produtores, realizadores e actores cedo o fizeram perceber que as pessoas são todas iguais, independentemente do estatuto de estrelas de que gozam – fruto da sua criatividade ou por apareceram na grande tela. Os diferentes locais de rodagem dos filmes em que participou como director de produção ou director executivo corroboraram a ideia. Os contrastes deram-lhe muito em que pensar. Passar de um palácio para um bairro miserável, passar de Portugal para a França ou para o Uruguai – porque “com os filmes, vieram as viagens” – causaram um impacto considerável, ou não se mostrasse Joaquim Carvalho um homem sensível e atento.

   Cofiando, a espaços, a barba bicolor, explicou em que consiste a produção de cinema. Passada a fase de orçamentação, que cabe ao produtor, entram em cena o director de produção e o produtor executivo. São eles que contratam os actores escolhidos pelo realizador, fazem acordos para as filmagens, tratam da decoração dos sets, do guarda-roupa, da fotografia, das tecnicidades. É um trabalho multifacetado e em que são obrigatórias a atenção ao pormenor, a agilidade e a capacidade de adaptação, já que “raramente um guião é igual ao filme que sai”.

   E como de uma conversa se tratava, e animada, as perguntas foram-se multiplicando. Joaquim respondeu com desafectação, ainda que tenha trabalhado com ícones como Manoel de Oliveira, João César Monteiro ou Pedro Costa. Entre as interrogações, uma houve que trouxe surpresa aos presentes – sobre a participação de Joaquim Carvalho como actor no filme “Aquele querido mês de Agosto”. Entre o documentário e a ficção, o filme, que tem como cenário o Portugal interior, explora a dinâmica das festas de Verão e o regresso à terra natal, integrando a equipa de rodagem na acção. Esta originalidade levou-o a Cannes em 2008. Joaquim Carvalho ofereceu uma cópia do filme à Biblioteca Municipal de Alenquer (BMA).

   De entre os títulos mais recentes e conhecidos de Joaquim Carvalho, estão “O Crime do Padre Amaro” e “Second Life”, que atestam o seu ecletismo.
 
19-01-2010 Fonte: CMA
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