17 de Agosto de 2018
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Alenquer e Cadaval comemoraram 19 anos de Paisagem Protegida
A Serra de Montejunto recebeu centenas de visitantes ao longo de dois dias de celebração
Os municípios de Alenquer e Cadaval celebraram 19 anos de Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, com um conjunto de atividades no último fim-de-semana.

Uma caminhada ao final da tarde de sábado, a partir do Centro de Interpretação Ambiental, deu inicio às comemorações, com um grupo de 45 elementos a percorrer os trilhos que ligam a Serra à aldeia de Vila Verde dos Francos.

No final do percurso, um lanche dava as boas vindas aos participantes, cortesia da freguesia de Vila Verde dos Francos.

No dia seguinte, domingo, as atividades tiveram inicio pelas 10h com a abertura de um mercadito de produtos locais, com doces e licores, agricultura biológica, vinho e artesanato. No total foram 12 os expositores presentes: Entrelabaços; Moinho do Lebre; Tarte de Amêndoa; Adega Cooperativa da Labrugeira; Ema Gaiato; Dina Aires; Ginjinha da Mãe; Fazendas da Estremadura; Alexandra Azevedo; Rui Lucas e Art'Villa.

Para os mais novos (e não só) a MuitAventura, organizou um conjunto de atividades, com tiro ao arco, escalada e slide, disponíveis gratuitamente ao longo de todo o dia.

Ainda da parte da manhã, Alexandra Azevedo da Associação Ambientalista Quercus, explicou como se confeciona pão de bolota.

A bolota é um fruto altamente nutritivo, proveniente das árvores do género Quercus, como o sobreiro, a azinheira e os carvalhos, e foi a base da alimentação das primeiras populações humanas que habitaram as regiões onde plantas do género Quercus dominavam o bosque natural, ou seja, em praticamente todo o hemisfério norte.

Recuperar e divulgar esses sabores ancestrais é um dos objetivos de Alexandra Azevedo, o que a levou a publicar os guias práticos "Ervas Silvestres Comestíveis" e "Frutos Silvestres Comestíveis, disponíveis para venda e consulta no mercadito do Montejunto. É ainda autora e apresentadora da série de vídeos "Natureza Comestível", que podem ser vistos na plataforma You Tube.

No final da apresentação, os presentes tiveram oportunidade de provar o pão de bolota, acompanhado dos vinhos da Adega Cooperativa da Labrugeira e da Fazendas da Estremadura do Cadaval.

Ao inicio da tarde, no anfiteatro do parque de merendas, atuação da Banda da Associação Filarmónica e Cultural do Cadaval, seguindo-se uma visita à Real Fábrica do Gelo, com uma recriação histórica explicativa do processo de fabrico de gelo no século XVIII, uma tarefa árdua e dura, assegurada sobretudo pela população da aldeia de Pragança, situada no sopé da Serra e por isso a povoação mais próxima da fábrica.

O processo de fabrico do gelo tinha início anualmente no final de outubro, momento em que se enchiam de água os cerca de 44 tanques da instalação.

Assim que o gelo se formava, o guarda da fábrica ia a cavalo até à aldeia vizinha de Pragança e, com uma corneta, acordava as pessoas para que, antes do nascer do sol, se partissem as placas de gelo, amontoando os fragmentos que depois eram carregados para os silos de armazenamento, e onde o gelo era conservado até à chegada do Verão.

Depois de retirados dos poços de conservação, os blocos de gelo eram envolvidos em palha e serapilheira e transportados até à base da serra, no lombo de burros e dali, em carros de bois, até à Vala do Carregado, na margem do rio Tejo. A última etapa era o transporte até Lisboa nos chamados "barcos da neve". Chegados a Lisboa, abasteciam desde a Corte até aos cafés.

As atividades encerraram com a atuação do Rancho Folclórico da Associação Recreativa da Pocariça.

O vereador com a tutela do Ambiente, Paulo Franco, manifestou a sua satisfação pela elevada participação nestas comemorações, sobretudo por muitas famílias, espelhando aquele que tem sido o desígnio da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto; um espaço inclusivo para todas as gerações, onde à vertente lúdica se junta a pedagógica, com a sensibilização para a importância de preservar o nosso património natural e paisagístico.

Serra do Montejunto - Um espaço natural privilegiado

A Serra do Montejunto constitui um espaço natural privilegiado, abrangendo uma área de cerca de 4.800 ha, onde vive uma comunidade animal rica e diversificada.

De entre as diferentes classes que aqui podemos encontrar, as aves, pela sua diversidade e raridade, assumem particular importância. Aqui nidificam cerca de 75 espécies, sendo que 10 são consideradas ameaçadas pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. A águia-de-bonelli, o bufo-real e o andorinhão-real são mesmo consideradas raras a nível nacional.

Entre os mamíferos contam-se o gato-bravo, a geneta, o texugo, e, sobretudo, 8 espécies cavernícolas de quirópteros (morcegos) das 24 espécies existentes em Portugal Continental, uma das maiores riquezas faunísticas de Montejunto, que esteve na base da sua inclusão na rede NATURA 2000, um estatuto de proteção Europeu.

Existem também répteis como o sardão, a cobra rateira, a cobra ferradura, e anfíbios como o sapo-comum, a salamandra de pintas e o tritão-marmorado.

Na serra podemos ainda encontrar uma considerável diversidade florística, quando comparada com a da região envolvente. Foram já identificadas cerca de 400 espécies de plantas, o que constitui cerca de 15 % da flora de Portugal continental.

A ocupação humana remonta ao Neolítico, sendo muitos os vestígios arqueológicos (grutas necrópole) e povoados fortificados (castros). O cimo da serra foi o local escolhido para a instalação do primeiro convento dominicano em Portugal, no séc. XII, perto das ermidas de S. João Batista e da Senhora das Neves, onde ainda hoje perduram as romarias tradicionais a 24 de junho e 5 de agosto.

Na Quinta da Serra foi construída, em meados de séc. XVIII, a Real Fábrica do Gelo (que tinha como objetivo o fornecimento de “neve” a Lisboa) classificada, em 1997, como Monumento Nacional.

25-07-2018 Fonte: CMA
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