24 de Maio de 2019
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O Humanista alenquerense e os seus paradoxos e contradições
Fernando Marques veio apresentar Tese sobre Damião de Góis e a derrota do Humanismo em Portugal e Brasil
O museu Damião de Góis recebeu sábado, 14 de julho, o professor Fernando Marques, na conferência “Damião de Góis ou o Humanismo derrotado: ideias humanistas em Portugal e no Brasil, séculos XVI-XVIII”.

Titulo da tese de pós-doutoramento que está ainda a desenvolver, Fernando Marques começou por explicar como o pensamento humanista de Damião de Goes, e sobretudo a sua coragem na defesa dos judeus e cristãos novos, o levaram a querer saber mais sobre este alenquerense, que personificou como poucos a essência do Homem renascentista, culto, viajado e tolerante.

Num Portugal do século XVI subjugado ao terror da Inquisição, descrever o massacre dos cristãos novos na abertura da Crónica do Felicíssimo Rei D Manuel, era um ato ousado e eventualmente terá mesmo selado o destino de Góis, que, não obstante o seu prestigio, acabou julgado e condenado pelo Tribunal do Santo Oficio.

Essa é pelo menos a convicção de Fernando Marques, a de que a queda de Góis terá sido motivada por invejas e ofensas, e por não ter bajulado devidamente os poderes instalados, mais do que pela amizade de Góis com as personalidades como Erasmo de Roterdão.

O professor salientou, contudo, que a tolerância de Góis tinha ainda assim os seus limites, e que estes terminavam nos turcos e árabes, a quem Góis chamava “raça de infiéis que devia ser exterminada da raça da terra”.

Defensor da expansão do império português, sob a força se necessário, Damião de Góis era por outro lado um discípulo de Erasmo que defendia a “concórdia universal”, e o fim das guerras como forma de resolução de conflitos.

Para Fernando Marques, o reconhecimento desta dualidade ou ambivalência não deve, contudo, ser vista como uma critica, ou um desmerecimento dos feitos de Góis, recordando que ele também era necessariamente um homem do seu tempo, sujeito às regras da sociedade.

“Erasmo, era um desempregado feliz. Sempre recusou servir senhores, ou qualquer tipo de cargo, mas Góis cresceu na corte e esteve ao serviço do Rei praticamente toda a sua vida”, recordou ainda Fernando Marques.

Apesar de já afloradas por outros historiadores, apontar as contradições de Góis “será sempre polémico”, reconhece, mas essa é uma consequência que tem de ser assumida por quem sai do senso comum, e procura novas abordagens, novas leituras, neste caso do legado Goisiano.

Para o professor, a morte de Góis constituiu um sério revés para o Humanismo em Portugal, mas não a sua extinção. Esse legado de tolerância e abertura teve diversos sucessores pelo menos até meados do século XIX, sendo talvez o mais famoso o padre António Vieira, que levaria o pensamento humanista para o Brasil, “defendendo os direitos dos índios e a abolição da escravatura”, referiu o académico.

José Fernando Marques, nasceu no Rio de Janeiro, e é professor do Departamento de Artes Cénicas da Universidade de Brasília, jornalista, escritor, poeta e compositor. Da sua obra publicada constam livros de poesia, ensaio, contos e teatro. 

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15-07-2018 Fonte: CMA
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