29 de Março de 2017
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A minha rua
Períodos históricos
Da Pré-história à constituição do concelho
Pré-história

   De entre os fósseis de animais pré-históricos encontrados na região de Alenquer, destaca-se o Apatosaurus Alenquerensis.

   Foi descoberto pelo geólogo americano Harold Weston Robbins que então trabalhava por conta da Companhia Portuguesa de Petróleos. As ossadas apareceram no meio de um caminho rural, algumas dezenas de metros a Norte de um moinho arruinado chamado Moinho do Carmo, situado a cerca de 1500 metros a Sul de Alenquer.

   Depois de uma visita ao local, pessoal dos Serviços Geológicos, sob a direção de Georges Zbyszewski, realizou, em junho de 1949, as escavações, recolhendo 26 enormes vértebras pertencentes ao cadáver de um mesmo animal, muito frágeis, permitindo no entanto serem reconstituídas. 

   O estudo paleontológico dos achados revelou tratar-se de um animal do período Jurássico (135-165 milhões de anos), de proporções gigantescas (podendo atingir 35 toneladas de peso, 22 metros de comprimento e 6 de altura), pertencente à família dos Saurópodes Herbívoros.

   Por se tratar de nova espécie, semelhante ao Apatosaurus da América, e tendo em conta o local onde foi encontrado, recebeu o nome de Apatosaurus Alenquerensis. Encontra-se no Museu dos Serviços Geológicos, em Lisboa.
 
 
Origens da vila

   A descoberta pelo arqueólogo Hipólito Cabaço de objetos polidos no sítio do Castelo (sem precisar exatamente a localização) e de fragmentos cerâmicos junto da vulgarmente chamada Porta da Conceição parece indício seguro de uma origem pré-histórica da vila, no espaço depois limitado pela fortificação medieval.

   As cerâmicas, classificadas por Cabaço como “Eneolítico”, são por ele descritas como “Diversos fragmentos de vasos campaniformes com desenhos incisos encontrados por baixo da muralha da Porta da Conceição – Alenquer”. 

   Localizado a meia-encosta, o sítio da Porta da Conceição levanta dúvidas quanto à localização e estrutura do povoado a que estariam associados aqueles vasos. João José Fernandes Gomes, que estudou o espólio, aponta duas possibilidades: a de se tratar de um povoado de tipo castrejo, que ocupara o topo do outeiro do Castelo, a 107 metros de altitude; ou de um povoado que ocupara uma das vertentes do mesmo monte.

   A primeira parece, contudo, comprometida. Hipólito Cabaço, que nos anos trinta do século XX realizou escavações na zona da alcáçova do castelo medieval nada encontrou de tempos pré-históricos. Como escreveu Luciano Ribeiro: “Supoz-se que, abaixo do piso relativo à primeira dinastia alguma coisa houvesse das civilizações anteriores. Porém, infelizmente: nada!”. 

   Aceitando a segunda hipótese – povoado de encosta - não será indiferente a proximidade da Porta da Conceição às inúmeras fontes e nascentes que brotavam no sítio das Águas, de ambos os lados do rio, que era abundante de peixes, conforme relatos modernos.

   Também para lá do rio, no monte fronteiro a esta encosta da Porta da Conceição, chamado do Pedregal, Cabaço recolheu, para além de restos paleontológicos e antropológicos, materiais eneolíticos.
 
 
Alenquer sob o domínio romano

   Castro ou povoado de encosta, o primitivo núcleo habitacional de Alenquer terá sido mais tarde romanizado (séculos II a.C. a III d.C.).

   Bento Pereira do Carmo faz menção da descoberta de moedas dos imperadores Trajano, Adriano, Antonino Pio e outros, quando se reformou o Castelo com obras de terra, para fazer rosto à invasão francesa de 1810.
   
   Inclui ainda este autor, numa relação de inscrições lapidares antigas localizadas por si, e na sua maioria romanas, uma pedra achada em 1782 no quintal do Padre Pedro Taveira, junto ao Castelo, declarando serem, para si, enigmáticos os carateres nela gravados, e reprodu-los então conforme registo que deles fizera Fernando Dantas da Cunha e Brito, falecido em 1787, escrivão dos orfãos de Alenquer e curioso de antiguidades, reprodução essa que, como as de todas as outras inscrições, já não aparecerá quando os textos de Pereira do Carmo são publicados entre 1888 e 1890.

   Por volta de 1780 foi demolida uma torre denominada de São Prisco, conforme relata também Bento Pereira do Carmo, a partir de uma lembrança de uma testemunha ocular que lhe chegou às mãos. Conta ele que na dita torre abundavam os cipos e marmores romanos, que depois da demolição foram aplicados como alvenaria ordinaria na construção da capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo na Praça da Vila (atual Praça Luís de Camões). E lamenta-se: visitando pessoalmente a capela à cata de antiguidades, nem uma só destas pedras históricas vi à flor da parede.
   
   Além destas, notícias de vestígios romanos já só para a Alenquer extramuros. Na igreja de Triana, ou mais concretamente à porta da igreja de Triana, da parte direita quando entramos, existiu um cipo com inscrição reproduzida por Frei Agostinho de Santa Maria no seu Santuário Mariano. Bento Pereira do Carmo procurou-o por 1840 mas já não o encontrou, atribuindo o seu desaparecimento “talvez” à ruína da igreja com o terramoto de 1755.

   Vários autores fazem coincidir a cidade de Ierabriga ou Lerabriga, referida no Itinerário, com Alenquer, ou melhor, com uma zona pouco distante da vila, a sul, onde maior e mais variado número de vestígios foi encontrado, entre o lugar das Paredes e as quintas do Bravo e das Sete Pedras. Nas Paredes existiam ainda em meados do século XVIII as muralhas ou paredes de um aqueduto que conduzia águas para a referida Quinta do Bravo. Pela mesma altura, o pavimento duma adega desta quinta, sugeria ter ali existido sumptuoso edifício. Bento Pereira do Carmo, que terá visitado o local por 1840, diz que ainda ali se descobriam pedaços de mosaico. Empregadas em usos domésticos foram as pedras das sepulturas romanas desenterradas junto à quinta, conforme Pereira do Carmo, em sítio a que chama Barrada. Da mesma Quinta do Bravo é proveniente um cipo que desde finais do século XIX se guarda no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa.

   Em 1934 descobre Hipólito Cabaço uma extensa necrópole lusitano-romana, datável do século I d.C., que explora em parte, entre Paredes e Sete Pedras, cerca de 1 km² de tumulizações sucessivas por incineração e inumação, segundo Maria Amélia Horta Pereira, que estudou o espólio de uma sepultura de incineração, constituído por cerca de 60 objetos, entre eles, o dolium e o mobiliário da sepultura, composto por jarrinha, lucerna, skiphos, pratos e taça de terra sigilatta, unguentários, boiões, taças e copos em vidro, marca de jogo em osso, fíbula, fivelas, botões, argolas, campainha e outras peças em bronze, ponta de dardo em ferro, pregos em cobre e ferro e até um pequeno fragmento de mosaico. Estes achados fazem hoje parte da exposição permanente do Museu Municipal Hipólito Cabaço.

   A estes se vieram juntar mais tarde, provenientes da Quinta do Bravo, uma pequena ara de mármore, descoberta, quando se procedia à abertura de um poço e uma lucerna com “bico” quebrado.

   Na Quinta de Santa Teresa, próxima também da antiga necrópole, se descobriu um relógio de sol, em mármore, e um fragmento de coluna com inscrição latina. 
   
   Depois de se referir à Quinta do Bravo e às Paredes, escreve Bento Pereira do Carmo: Na Quinta da Barradinha, situada um pouco mais longe, sobre a continuação das colinas, ao sul da várzea de Vila Nova, se descobriu, em dezembro de 1839, uma sepultura no pendor da colina para o campo, encerrando um esqueleto, que um proprietário não pode salvar da sacrílega mão dos trabalhadores, fazendo apenas menção de que a cabeça estava voltada a Oriente.

   Pela parte superior desta quinta encontram-se espalhadas muitas pedras, quando o sítio não as dá, alguns lanços de parede subterrâneos, e grandíssima quantidade de telhas e tijolos de tamanho descomunal, alguns menos quebrados têm sido postos em reserva, como raridade; os entulhos (que assim lhe podemos chamar) continuam na mesma direção até ao Casal da Telhada.

   Bem sei que estas ruínas equívocas e sem caracter que o tempo engoliu, como faz a tudo, e fez ás moedas que por entre elas apareceram e vão aparecendo, põe a questão fora de toda a dúvida. Pertencem estas moedas, de que o proprietário vai fazendo coleção, aos imperadores Trajano, Adriano, António Pio e outros.

   O proprietário da quinta, naquele tempo, seria o próprio Bento Pereira do Carmo.

   O Museu Municipal possui algumas peças lusitano-romanas encontradas na Barradinha, das quais se destacam uma mísula ou capitel de mármore branco e um fragmento de asa de ânfora com marca de oleiro.
 
 
Invasões bárbaras, domínio árabe e reconquista cristã

   Entre os séculos III e VIII da nossa Era, sucedem-se as invasões bárbaras: alanos, vândalos, suevos e visigodos.
Guilherme Henriques, baseando-se nos escriptores mais abalisados afirma que a fundação do castelo de Alenquer se deu com a entrada dos visigodos em território português.

   Outros autores creem em fundação posterior. Estabelecidos na Península a partir de 711, terão os árabes aproveitado os recursos defensivos do sítio de Alenquer, nomeadamente a sua posição na linha do Tejo, para aqui edificar uma fortificação. 

   Dentro das muralhas, a mesquita, erguia-se, segundo a tradição, no mesmo local onde depois se edificou a igreja de Santo Estevão, matriz da vila, também esta demolida em 1870 para dar lugar à construção da Aula do Conde de Ferreira, onde hoje está instalado o Museu Municipal. Acerca desta demolição escreve Guilherme Henriques, que quando se derrubou a torre, viu-se perfeitamente que havia n’ella uma especie de cunhal de cantaria de forma muito diversa à da torre.

   É tradição também que a chamada Torre da Couraça, no sítio das Águas, fora construída ou, pelo menos, começada pelos mouros, conta Henriques, porque havendo nos seus alicerces uma copiosa nascente quizeram, d’este modo, conseguir o abastecimento d’agua, único requesito para ser a praça inexpugnavel, acrescentando que o mais provavel é que a torre foi começada quando a noticia das conquistas de D. Affonso Henriques obrigava os mouros a lançar mão de tudo quanto podesse contribuir para a segurança das suas praças e castellos.

   De resto, e à falta de outros vestígios, está o legado mouro patente na própria estrutura urbana da Alenquer medieval, intramuros, como lembra Aldo Paviani, estreitas tortuosas e íngremes ruas, entrecortadas por ‘becos’, ‘travessas’ e ‘escadinhas'.
 
 
Forais

   Em 1212, Alenquer é entregue a D. Sancha, que no mesmo ano lhe atribui foral. Por se tratar apenas da consolidação de uma situação já existente, este diploma não especifica os limites do termo da vila.

   D. Dinis concederá novo foral à vila em 1302, reformado em 1510, na sequência da reforma dos forais promovida por D. Manuel.
 
 
Constituição do concelho

   O concelho de Alenquer foi constituído num passado recente no fervilhar do processo liberal entre 1832 e 1855, no período que corresponde, culturalmente, às gerações do Romantismo.

   Nesse processo conturbado de profunda transformação da sociedade e do municipalismo do País, após a extinção dos forais (1832) desapareceram dois (Vila Verde dos Francos e Aldeia Galega) dos três antigos concelhos medievais que formam hoje o atual concelho. 
   Com a promulgação das três leis (finanças públicas, administração civil e judicial) em 1832 e a divisão do País em províncias, comarcas e concelhos tornando distintas as funções administrativas das judiciais, mudando por completo a maioria das normas vigentes da administração pública, foram várias as alterações do termo e da comarca de Alenquer.

   Em 1832, o decreto de 16 de maio, colocou Alenquer como cabeça de comarca de quinze vilas entre as quais Aldeia Galega. Vila Verde, concelho e vila, ficou a pertencer a Torres Vedras. Posteriormente, a «novíssima reforma judicial» (1854) deixou a comarca de Alenquer reduzida apenas a seis julgados: Alcoentre, Aldeia Galega, Alenquer, Azambuja, Cadaval e Sobral. O julgado de Vila Verde foi extinto.

   Em 1837, a lei de 12 de junho constituiu o concelho de Alenquer marcando-lhe quatro freguesias na vila e no seu termo as seguintes: Atouguia, Cabanas de Torres, Cadafais, Carnota, Espiçandeira, Olhalvo, Ota, Palha Cana, Paul de Ota, Santa Quitéria e Vila Nova da Rainha. Esta última, posteriormente passou para o concelho de Azambuja. Em 22 de dezembro deste mesmo ano (1837) o Vale do Carregado que pertencia a Vila Franca, passou para Alenquer.

   Em 1854, Vila Verde perdeu o último vestígio do seu caráter municipal e passou a fazer parte do concelho de Aldeia Galega.

   Em 1855, no mês de dezembro, foi extinto o concelho de Aldeia Galega. O seu «distrito» ficou junto ao de Alenquer, «formando ambos o concelho como atualmente se acha». Era o começo de um novo período da história local.

   Os melhoramentos materiais da Regeneração chegaram com as estradas, o caminho de ferro, as fábricas, a opulência de algumas quintas residenciais da burguesia triunfante e a construção majestosa do edifício dos paços do concelho. Nesta época, Alenquer ganha importância industrial.

   Os movimentos literário e artístico do Romantismo passaram pela Casa de João de Deus na Cortegana, pela casa do pintor Ribeiro Cristino do «Grupo do Leão» no Arneiro, pela casa de Guilherme João Carlos Henriques na Carnota e pelas «Farpas» assinadas por Ramalho Ortigão reclamando «durante o verão pelo menos, um vapor em que se navegue pelo Tejo acima até ao Carregado, como noutro tempo».

   As vicissitudes do liberalismo e a sua repercussão cultural mudaram, assim, a face do Concelho de Alenquer no século XIX.
 
 
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