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25 de Setembro de 2018
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Museu Municipal Hipólito Cabaço
Situado em pleno centro histórico de Alenquer

Mineralogia e geologia
    Um exemplar de prisma basáltico, proveniente de Meca, Alenquer, no caso da mineralogia, ou um extenso conjunto de fósseis de origem vegetal e animal, no caso da geologia, provenientes deste e de outros concelhos vizinhos, na sua maior parte, dão um testemunho daquilo que existia no território da região, mesmo antes da existência humana.

Paleolítico
    Os mais antigos destes artefactos datam de há 600.000 anos. Os mais evoluídos, atribuíveis ao Paleolítico Superior, terão cerca de 20 000 anos. São instrumentos de pedra lascada, lascas trabalhadas, quartzites, unifaces, provenientes quer do concelho de Alenquer, quer de outros concelhos.

Mesolítico
    A cultura mesolítica ter-se-ia definido desde há 10 000 anos, aproximadamente. Havendo como que um retrocesso no trabalho da pedra, há por outro lado, objetos muito especializados: buris, pontas de seta... Dois locais do concelho de Alenquer estão aqui representados. São os concheiros do Casal do Concelho e do Casal da Prata, no Camarnal, Alenquer.

Neolítico
    Estão representadas, entre outro material disperso, estações situadas perto das atuais povoações de Refugidos, Pedra de Ouro e Ota, no concelho de Alenquer, e Vila Nova de São Pedro no de Azambuja, todas elas contemporâneas, datando de há cerca de 4000 anos. Machados, facas, pontas de seta, cerâmica decorada, raspadores, formões, furadores, alisadores, pesos de tear, ídolos, moinhos, são alguns dos testemunhos de uma cultura que desenvolveu a agricultura, a tecelagem e a as técnicas de cerâmica.

Idade dos metais
    Em território português, está-se no período da Proto-História. Testemunham-no objetos de cobre, bronze e outros datados da Idade do Ferro, além de barros característicos destas idades. Ainda desta época - cerca de 1000 anos a.C. - são os escaravelhos trazidos do antigo Egipto, por navegadores dessa civilização. São objetos de culto funerário e foram encontrados na margem sul do Tejo, perto de Porto Sabugueiro, Muge.

Lusitano-romano    
    Com este período, entra-se na História, propriamente dita. O material exposto, do concelho de Alenquer, na sua grande maioria, situa-se entre os séculos I e II da nossa Era. Entre cerâmica, bronzes e ferros, existem lápides com dedicatórias, aras inscritas, um dólium funerário e todo o material que nesse se recolhia, como vidros e loiças, objetos de uso corrente que dão uma pequena amostra do requinte da civilização romana. Destaque especial para um magnífico e raro skiphos vidrado a verde.

Medieval
    Encontram-se expostos diversos objetos datáveis do período medieval português e, quase todos, provenientes da vila de Alenquer (antigo Castelo e Porta da Conceição). Entre cerâmica, marfins e metais, podem citar-se candeias, jarros, copos, facas, moedas e ainda as matrizes sigilares, destinadas a selar e autenticar os documentos da época.
    A "fechar" esta Idade, uma medida-padrão de 1449, reinado de D. Manuel I, conjunto de pesos encaixados, e  outros dois conjuntos, para sólidos e líquidos, de bronze, respetivamente de 1575 e 1576, reinado de D. Sebastião, e provenientes do extinto concelho de Vila Verde dos Francos.


O arqueólogo e a obra  
 
   Hipólito de Almeida da Costa Cabaço nasceu em 1885 no lugar do Paiol, freguesia de Aldeia Galega da Merceana, concelho de Alenquer, e veio a falecer em 1970.
   
   Filho de um lavrador e comerciante, fixa-se em França, em 1901, com o objetivo de se especializar no tratamento e fabrico de vinhos. É nos museu franceses que desperta para a arqueologia e, sobretudo, para o material do período paleolítico.    
  
   Regressado a Portugal em 1903, desde logo inicia, com os primeiros achados, " a mais extensa e coerente obra de prospeção e exploração dentro dos domínios da Pré-história, realizada na primeira metade do século XX, sobretudo nesse sector ingrato, difícil e controverso que é o Paleolítico". Palavras de Maria Amélia Horta Pereira, que define Hipólito Cabaço como " pioneiro heróico e gigantesco " da arqueologia portuguesa. 

   Para além do Paleolítico, Cabaço localizou estações dos períodos Mesolítico, Eneolítico, Bronze, Ferro, Romano, Medieval, e ainda de Paleontologia e Antropologia, nos concelhos de Alenquer, Salvaterra de Magos, Azambuja, Peniche, Caldas da Rainha, Santarém, Abrantes, Elvas, Cadaval, e outros.

   Sócio n.º 96 da Associação dos Arqueólogos Portugueses, relacionou-se e/ou trabalhou em conjunto com arqueólogos portugueses do seu tempo como Rui de Serpa Pinto, Eugénio Jalhay, Mendes Correia, Afonso do Paço, e estrangeiros como Henri Breuil e Georges Zbyszewski.


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Espaço e edifício  

   Situado em pleno centro histórico de Alenquer, o Museu Municipal Hipólito Cabaço, está instalado no edificio da antiga Aula do Conde de Ferreira, cuja construção se iniciou em 1871, vindo a ser inaugurado em 20 de novembro do ano seguinte. Parece tratar-se da primeira edificação entre todas as 120 escolas de instrução pública instituídas por testamento do benemérito Joaquim Ferreira dos Santos, Conde de Ferreira (1782-1866), feito no Porto em 15 de março de 1866. Estes estabelecimentos, todos com um traçado arquitetónico semelhante e contemplando moradia para os professores, constituíram, no seu conjunto, o mais vasto plano de construção de escolas de um legado particular. Uma calçada próxima ao edifício da antiga escola ostenta o nome do insigne testador.

   A construção da Aula do Conde de Ferreira fez-se exatamente no local onde antes se encontrava a Igreja de Santo Estevão, matriz da vila, e obrigou à total demolição desta. Apontada como a mais antiga de Alenquer, esta igreja teria sido, segundo a tradição, erigida por D. Afonso Henriques sobre as ruínas de uma mesquita de mouros.

   Só nos primeiros anos da década de setenta do século XX, o edifício da antiga aula deixa de servir como estabelecimento de ensino primário.

   O estado devoluto do edifício da antiga escola - onde há anos, numa das salas, se encontrava já guardado o espólio arqueológico - permite que ali se venha a abrir ao público, em 1975, o Museu Municipal Hipólito Cabaço.


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Espólio e museu  
 
     Em 1944, a Câmara Municipal de Alenquer, com a comparticipação da então Junta de Província da Estremadura, adquire a coleção de Hipólito Cabaço, com o fim de esta servir de fundo à futura instalação de um museu na vila. Espólio constituído por cerca de quinze mil objetos, guardados na Casa da Torre, até aqui residência do arqueólogo e, posteriormente, instalações do extinto Externato Municipal Damião de Goes. Neste edifício permanecem por mais uns anos, até serem armazenados numa das dependências da antiga Aula do Conde de Ferreira.
    
    Mas as condições para a abertura de um museu só foram reunidas após a Revolução de 25 de Abril de 1974 com a entrada em funções da primeira Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Alenquer, presidida por Francisco Vasques Ferreira. É então composta, por deliberação camarária, uma comissão diretiva com o objetivo de reorganizar  a coleção de Hipólito Cabaço. Desta comissão faziam parte António Rodrigues Guapo, Fernando Vieira Leitão, Francisco Perestrello Caldas, João Fernandes Gomes, José Barreto Domingos, P.e José Eduardo Martins e Manuel Maria de Oliveira. António de Oliveira Melo surge como elo entre a Comissão Administrativa da C.M.A., da qual era membro, e a comissão diretiva do museu.
    
    Em menos de um ano, este grupo reorganiza todo o espólio e estrutura a exposição permanente, à qual pretendeu, na medida do possível, dar uma orientação lógica e didática. A abertura ao público do novo museu aconteceu no dia 6 de abril de 1975.


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