14 de Dezembro de 2017
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Freguesia de Vila Verde dos Francos
Vila Verde dos Francos, Portela, Lapaduços, Rechaldeira, Rabissaca, Casais Galegos
 
    Tem uma área de 28,01 km². Confronta a norte com o concelho do Cadaval; a sul com as freguesias de Aldeia Galega da Merceana e Ventosa; a nascente com a freguesia de Cabanas de Torres e a poente com o concelho de Torres Vedras.

    Por ter sido um senhorio particular, conservava ainda na segunda metade do século XIX, os antigos marcos postos pela casa dos Noronha, donatários. Orago, Nossa Senhora dos Anjos.

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Vila Verde dos Francos 

    Vila Verde dos Francos

   Hipólito Cabaço recolheu aqui machados polidos do período eneolítico e no Penedo do Buraco, fragmentos de cacos diversos e uma faca em silex.

    Situada nas faldas do Montejunto, Vila Verde foi doada por D. Afonso Henriques ao cavaleiro francês Alardo, em janeiro de 1160, fundando-se aqui uma colónia de francos, de onde lhe vem o nome, território a que o donatário outorgou foral. D. Afonso II confirmará esse foral em março de 1218. O mesmo fará D. Duarte, em novembro de 1435. Em 1 de outubro de 1513 receberá novo foral, dado por D. Manuel. Foi vila e sede de concelho até à sua extinção, em 1836. Vila e freguesia, que era a única que compunha o concelho, são incorporadas no concelho de Aldeia Galega da Merceana, o qual também será suprimido em 24 de outubro de 1855, tendo então sido anexado ao de Alenquer.

    O antigo termo de Vila Verde compreendia os lugares de Avenal, Rexaldeira, Rabissaca, Lapaduços, Casais Galegos e Portela.

    Pertenceu à comarca de Torres Vedras.

    A câmara compunha-se de dois juizes ordinários, um na vila, outro no termo, um procurador do concelho e três vereadores, confirmados pelo senhor da vila.

    Tinha um capitão de ordenança, sujeito ao general da Estremadura.

    Do antigo concelho de Vila Verde é proveniente um jogo de pesos e medidas que atualmente se encontra no Museu Municipal Hipólito Cabaço.

    A igreja paroquial, dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, hoje com uma arquitetura incaracterística, apresenta, contudo, um conjunto de cachorros românicos que lhe conferem grande antiguidade. Aqui se guardam interessantes imagens dos séculos XV a XVIII.

    Contava esta antiga vila 87 fogos em 1527. Em 1759 tinha 168 moradores e 594 habitantes.

    Da época da fundação da vila deve datar o Castelo, pequena fortaleza, provavelmente uma atalaia, que já em 1759 se encontrava quase demolida. Dali se avistava Santarém, Vila Nova da Rainha, Azambuja, Peniche, Berlengas, São Martinho do Porto, Óbidos. Escrevia-se então, nas Memórias Paroquiais, que “nada pode entrar nesta vila sem ser visto do Castelo, antes de um quarto de légua”.

    As ruínas do Castelo de Vila Verde dos Francos estão classificadas como Imóvel de Interesse Público desde 1957.

    Durante o século XVI, contou a Casa do Espírito Santo de Alenquer com vários confrades de Vila Verde: Afonso de Albuquerque, o célebre conquistador da Índia, filho de Gonçalo de Albuquerque, em 1500; D. Pedro de Noronha e sua mulher D. Violante, em 1540; Francisco de Figueiredo e sua mulher Beatriz de Barros, em 1560.

    Entre os soldados portugueses que, durante o mesmo século, foram prestar serviço na índia, encontra-se Gonçalo Pereira, de Vila Verde.

    Teve Casa da Misericórdia e irmandade, que administrou aqui um hospital, fundada no tempo do reinado de D. Manuel, de que era provedor perpétuo o marquês donatário. A sua igreja deve ter sido construída em 1627. São notáveis os seus azulejos, da mesma época.

    Junto à antiga vila existiram duas ermidas: a do Anjo da Guarda, pertencente aos donatários, com confraria composta por juiz, juiza e mordomos, responsáveis pela sua festa, no terceiro domingo de julho. Hoje, resta a memória do local onde se erguia, assinalado por uma lápide. A outra, de São Brás, a poente da vila, com um só altar, era administrada pela Misericórdia, à qual acorria uma romagem no dia do santo.

    O palácio dos donatários, seiscentista, hoje está em ruínas,é assim descrito pelo prior João da Silva, nas memórias paroquiais, “... com muita grandeza e autoridade, com sua cerca, noras, alegretes e água, todo o ano em grande abundância, muitas árvores: laranjeiras, pereiras, macieiras, ginjeiras e figueiras, mata com árvores silvestres, com um pombal de pombos bravos”. Em 1759 era donatário o Marquês de Angeja, D. Pedro José de Noronha e Camões, vedor da fazenda real.

    Aqui se fundou, em 1540, um convento franciscano, distante da vila meio-quarto de légua, na encosta do Montejunto, de invocação de Nossa Senhora da Visitação. Foi seu fundador e padroeiro D. Pedro de Noronha, sexto morgado de Vila Verde, vedor da rainha D. Catarina de Áustria, sepultado na igreja deste convento em 1566. O convento instala-se em quinta sua.

    À data da sua extinção, residiam aqui treze frades. Sofreu, de então para cá grandes alterações.

    Entre os nomes de vila-verdenses ilustres contam-se ainda os de D. Manuel de Noronha e de Gregório Ferreira de Faria.

    O primeiro nasceu aqui em 1594. Professo na Companhia de Jesus, foi prior das vilas de Castanheira e Vila Verde, prior-mor da Ordem de Santiago e reformador da Universidade de Coimbra. Prior-mor de Viseu, foi eleito bispo daquela diocese, mas antes de tomar posse foi nomeado para a Sé de Coimbra (1668), onde chegou a tomar posse por procuração, falecendo sem ter sido sagrado, em 1671.

    O segundo foi sargento-mor da comarca de Leiria.

    A padroeira, Nossa Senhora dos Anjos, é festejada no segundo fim de semana de julho. Atualmente, a organização desta festa é da responsabilidade da Associação Desportiva Recreativa e Cultural de Vila Verde dos Francos, fundada em 1980.
 
 
Portela

    Tinha 14 fogos em 1527. Em 1758 contava apenas nove. Em 1873 eram 12.

    Em finais do século XVII nasceu aqui Manuel Nobre Pereira que viria a ser colegial no colégio pontifício em Coimbra, lente em Cânones, cónego doutoral do bispado de Coimbra e vigário capitular no mesmo bispado. À sua família pertenceram o desembargador Jacinto Nobre Pereira de Almeida, proprietário na Labrugeira, e D. Mariana Bárbara Nobre casada com José Joaquim Freire, professo na Ordem de Cristo. Estes foram pais de João Eduardo Nobre Freire, que também nasceu neste lugar, em 1807, e foi herdeiro do referido desembargador. A família daquele José Joaquim Freire administrava um vínculo relacionado com a ermida de Santa Bárbara. Esta pequena capela situa-se no largo principal do lugar e tanto o portal, de verga curva e ornamentada, como o altar-mor, de talha,  apontam para que tenha sido edificada no século XVIII, datando também deste século três imagens de madeira que nela se guardam. Foi em tempos alpendrada e teve capelão nomeado pelo prior de Vila Verde.

    Setecentista é também o chamado Chafariz Velho, situado próximo da capela, e que a gente do lugar considera de grande antiguidade. Trata-se de um grande tanque, construído em 1728, conforme inscrição que ostenta. 

    Os festejos em honra da padroeira realizam-se a 4 de dezembro. A sua organização cabe atualmente à Associação Recreativa e Cultural Santa Bárbara da Portela, fundada em 1986.
 
 
Lapaduços

    Diz Guilherme Henriques que “o appellido d’este logar parece ter uma origem franceza”. É provável que a explicação seja mais simples e se relacione com a zona conhecida como dos Algares de Lapaduços, um pouco acima do lugar, na encosta da Serra Galega, onde existem algumas grutas (lapas) de grande inclinação. Lapadussos, como ainda no século XIX se escrevia, terá certamente origem em Lapa de Ussos (ussos: designação antiga de ursos).

    Em 1527 contava seis fogos.

    Em meados do século XVIII, quando o lugar contava 14 vizinhos, existia aqui uma ermida de São Miguel, com alpendre. A festa realizava-se no dia 29 de setembro.

    Em 1873 contava 23 fogos.
 
 
Rechaldeira

    Teve origem num casal, e é como Casal da Rechaldeira que ainda aparece em 1527, quando contava quatro famílias. O nome parece derivar do nome próprio Rechaldo ou Richaldo (forma popular portuguesa do atual Ricardo), querendo talvez significar o nome de uma propriedade de um indivíduo desse nome, que poderá ter sido um dos povoadores no tempo da colonização pelos francos (século XII). 

    Situado na falda da Serra, na parte Norte, tinha nove fogos em 1759. Aqui existia então uma ermida de Nossa Senhora do Amparo. Em 1873 os fogos eram 13.
 
 
Rabissaca

    Tinha seis fogos em 1759 e oito em 1873.
 
 
Casais Galegos

    A área deste lugar divide-se por duas freguesias: Vila Verde dos Francos e Ventosa.

    “Recordamos ao leitor que a palavra gallego ou guallego denota terra fraca ou improductiva”, escreve Guilherme Henriques, a propósito do nome deste lugar. 

    Em 1759 contava 12 fogos, tantos quantos ainda existiam em 1873. Tem uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Salvação. Em meados do século XVIII tinha capelão e era muito frequentada por romagens. O Centro Social Recreativo e Cultural da Infância “Flor da Aldeia”, fundado em 1984, organiza um círio em honra de Nossa Senhora da Misericórdia e uma romaria na primeira semana de setembro.
 
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