26 de Setembro de 2017
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Lendas
Segundo Guilherme João Carlos Henriques
Alão quer Boi Marciano | Milagre das Rosas | Ouvido do mar
Santa Quitéria de Meca | Senhora da Ameixoeira



Alão quer - conquista de Alenquer aos mouros
    
    Conta a tradição que na manhã do dia em que teve logar o combate final, indo o rei christão com seu sequito banhar-se no rio e fazer suas correrias, notaram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas e que se chamava «Alão», calou-se e lhes fez muitas festas. El rei tomando isso por bom presagio mandou começar o ataque dizendo «Alão quer», palavras que serviram de futuro appellido á villa. A batalha foi sanguinolenta e renhida e os cavalleiros christãos fizeram prodigios de valor. Especialmente no postigo proximo aonde estava a egreja de S. Thiago a lucta foi renhidissima, mas os portuguezes inspirados pela fé que S. Thiago em pessoa pelejava na sua frente, venceram todos os obstaculos e tomaram a praça.
    
    Há uma segunda tradição que diz que o cão «Alão» era encarregado de levar as chaves na boca todas as noites pela muralha fora até à casa do governador e os christãos aproveitando os instinctos do animal prenderam uma cadella debaixo de uma oliveira à vista do cão que subjugado por sentimentos amorosos galgou os muros, entregando assim as chaves aos portuguezes. Se estas tradições tem fundamento não sabemos, mas são muito antigas e é certo que as armas da villa são um cão pardo preso a uma oliveira o que parece confirmar a tradição.

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Boi Marciano

   No centro da povoação está o templo magestoso erigido em honra de Nossa Senhora da Piedade, objecto de um fervoso culto durante 500 annos. Conta a tradição que em 1305 um pastor de Aldeia Gallega, pastando seus bois nas charnecas visinhas, notou que todas as tardes a certa hora lhe faltava um boi da manada chamado marciano tomando mais tarde a apparecer. Admirado do caso espreitou o animal e seguindo-lhe o rasto, foi acha-lo ajoelhado aos pés de um carvalheiro e entre a folhagem da árvore via-se uma imagem pequenina de Nossa Senhora. O pastor appressou-se em avisar o prior de Aldeia Gallega e elle com os habitantes foram buscar a imagem, e a trouxeram para a egreja parochial. Na mesma noite a imagem desappareceu e foram acha-la novamente no carvalheiro. Entenderam que a Senhora assim queria mostrar desejos de estar para sempre n'aquele sitio e por isso lhe fizeram uma ermida alli mesmo, que logo se tornou muito concorrida pela fama dos milagres que por intervenção da Senhora se faziam.
    
   O pastor que descobriu a imagem dedicou-se ao serviço da Senhora, servindo de ermitão da mesma ermida, e quando falleceu foi enterrado debaixo do altar d'ella. Nos annos posteriores os devotos vinham colher terra da sua sepultura para curar os padecimentos que os afligia.
 
Milagre das Rosas

 Resolveu a Santa fazer aqui uma egreja, e segundo a tradição houve um principio milagroso a essa obra. Havia, e talvez ainda haja no cartório d'esta casa um livro em que se achava uma memória escripta por Francisco Telles, que foi escrivão da confraria em 1561, que dizia que n'um livro velho que se achou na câmara d'esta villa, havia uma escriptura feita por tabellião pela qual constava que Santa Isabel sonhara que era vontade de Deus que ela fundasse uma igreja ao Espírito Santo, junto ao rio, e que mandando abrir os alicerces os achara já riscados e principiados sem saber por quem, não tendo havido nas vespera signaes de tal obra. Mandando principiar a construção, no primeiro dia indo a Santa ver, deu uma rosa a cada pedreiro e servente, que eles guardaram em sitio occulto até á noite. Quando ao largar do trabalho procuraram as rosas, acharam no logar de cada rosa um dobrão de oiro.

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Ouvido do mar


   No alto de Montejunto havia uma lagoa. Falava-se dela em segredo. Animal que lá caísse era engolido sem deixar rasto. «Ela nunca seca e há quem diga que não tem fundo». 

    Os antigos acreditavam que a lagoa era mesmo um "ouvido do mar".

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Santa Quitéria de Meca


   Conta a tradição que no anno de 1238 apparecera n'um espinheiro, no sitio da quinta de S. Braz, uma imagemzinha de Santa Quitéria advogada contra o terrivel padecimento a hydrophobia.
    
    Levantou-se uma ermidazinha para receber a imagem no sitio aonde appareceu mas as curas milagrosas attribuidas por intercessão da Santa foram tantas e deram logar a tamanha concorrencia de devotos, que foi necessário edificar uma ermida maior, o que se fez no sitio da actual capella. Formou-se depois uma confraria que pelo curso dos annos se tornou uma das mais ricas de Portugal, e o reinado de D. Maria I resolveu-se edificar uma ermida com a magnificencia e solidez devida a tão respeitavel e abastada corporação.

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Senhora da Ameixoeira


 A uns quatro kilometros de Abrigada, por detraz de Monte Redondo, no meio da charneca aonde algum tempo passava a antiga estrada real de Lisboa ás Caldas, existem ainda as paredes arruinadas de uma sumptuosa egreja e espaçosa casa, que durante mais de cinco séculos receberam ops numerosos devotos que vinham em romaria offerecer o seu culto a Nossa Senhora adorada debaixo do distinctivo da “Ameijoeira”.
    
    Segundo o autor do “Santuário Mariano”, havia aqui em A.D. 700 uns eremitas que prestavam culto a Nossa Senhora, cuja imagem possuíam numa capella, no meio da charneca, e parece que a Santíssima Virgem querendo robustecer a sua fé e augmentar a sua devoção, lhes appareceu visivelmente, deixando-lhes por memória da sua visita a impressão da planta do seu sagrado pé estampada em uma pedra. Quando em A.D. 717 a entrada dos mouros na Hespanha derramou um terror pânico entre os poucos christãos da península, parece que os pobres eremitas receiando o martyrio para si e o desacato para a sua querida imagem, resolveram fugir, enterrando primeiramente os objectos de culto.
   
    Passados cinco séculos, estando Frei Sueiro Gomes no seu recem-fundado convento de Monte-Junto, sucedeu-lhe durante as vigílias da noite lançar a vista sobre a extensa charneca que se desenrola desde Alenquer até ao Cercal, e com bastante admiração viu no sítio de uma quinta chamada de Ameijoeira, que pertencia ao vassalo ou fidaldo Nuno Gonçalves, muitas luzes, ao passo que lhe chegaram aos ouvidos os cantos harmoniosos de um coro que bem parecia celeste. Repetindo-se este espectaculo o frade deu parte a D. Affonso II, que se achava sitiado em Alcacer do Sal. Depois de tomar a praça el-rei dirigiu-se, acompanhado pelo bispo de Lisboa e principais personagens da corte, ao sitio indicado, e lá, cavando, appareceu um cofre, tirado o qual, immediatamente do fundo da cova brotou um copioso nascente de água que ainda existe.
    Aberto o cofre achou-se n’elle a imagem da Senhora com a pedra sagrada e dois pergaminhos que em latim bárbaro e difícil de traduzir dizia o seguinte:
 
I. “No anno 717 em que entra o Agareno em Hespanha com total destruição de templos e imagens, havendo já muitos annos que habitavamos este deserto, vendo as nossas vidas em perigo, nos deliberámos ao desamparar, por não vermos tão feras barbaridades e tão feios desacatos; e não podendo levar esta santa imagem a deixámos aqui no mesmo logar. Ella seja servida de se guardar das mãos dos barbaros. Amen.”
 
II. “Em nome de Deus Verdadeiro, esta pedra é a mesma em que a virgem Santissima se dignou estampar a sua sagrada planta vindo em corpo e alma visitar esta última parte do mundo. A 10 das kalendas de Janeiro, era de 717 (anno de 679). Seja o Senhor servido defendel-a das mãos dos mouros. Amen.”

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