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11 de Dezembro de 2018
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Casa Museu Palmira Bastos
Exposição
 
    A Junta de Freguesia de Aldeia Gavinha, em colaboração com a Associação de Desenvolvimento Local de Aldeia Gavinha e com a câmara municipal, reedificou a casa onde nasceu Palmira Bastos, instalando aí a sede da junta e um museu que recorda o passado artístico da atriz. Inaugurado a 27 de fevereiro de 2000, tem expostas peças particulares, vestuário e fotografias da atriz, que possibilitam o contacto com o percurso de vida desta.


A atriz
   
   No assento número 11 do livro de nascimento do ano de 1875 da Conservatória do Registo Civil de Alenquer, podemos ler na folha cento e quarenta verso: No dia trinta do mês de Maio, nasceu na freguesia de Aldeia Gavinha do concelho de Alenquer um indivíduo do sexo feminino, a quem foi dado o nome completo de Maria da Conceição, filha legítima de Pedro Echavarria Martins no estado de casado de profissão actor, natural do Reino de Espanha da cidade de Valladolid, província de Castela a Velha e de Maria das Dores, no estado de casada, de profissão actriz natural do reino de Espanha, cidade de São Tiago de Compostela, provincia de Galiza.

    Numa nota à margem deste texto, na caligrafia de um Conservador, pode ler-se: Este assento é o da conhecida actriz Palmira Bastos.

    Esta menina, nascida e batizada em Aldeia Gavinha, filha de artistas espanhóis ligados a uma companhia de teatro ambulante, seria, anos depois, um grande valor do teatro português.

    Pouco tempo depois do seu nascimento, com o afastamento do pai e já desfeito o grupo de teatro, a mãe ficou sem meios de subsistência e com três filhos para criar. Foi, então, trabalhar para Lisboa. Durante o dia numa modista é à noite como corista nos teatros Trindade e depois no Teatro da Ria dos Condes. A filha mais nova acompanhava a mãe, recriando nas suas brincadeiras aquilo a que assistia nos espetáculos.

    Este convívio e interesse pelo palco levam-na muito cedo ao teatro profissional.

    A atriz descreve assim o início da sua carreira: comecei no Teatro da Rua dos Condes, tinha eu quinze anos. Entrava na fantasia musical que decorria num país imaginário e se intitulava “O Reino das Mulheres”. Sousa Bastos tinha-a visto em Paris e traduzira-a para português. Eu dizia poucas palavras. Tive a sorte de começar pelo princípio.  

    A partir daí, passou a atuar no Teatro Avenida. Dois anos depois, integrada na Companhia Rosas e Brazão, apresenta-se no Brasil com sucesso.

    Adota, entretanto, o nome de Palmira em homenagem a sua mãe, que usava o nome artístico de Palmira Rey.

    Em 1894, casa com o empresário teatral Sousa Bastos.

    O primeiro grande triunfo de Palmira Bastos surge em 1900, aos 25 anos, com a peça A Boneca, que teve o número excecional de 600 representações.

    Uma das suas qualidades artísticas era a sua capacidade de se desdobrar com êxito nas diversas formas de expressão teatral. A esta versatilidade e virtuosismo da artista se refere D. João da Câmara quando escreve: a Palmira se está na opereta faz-nos falta no drama; se está no drama faz-nos falta na opereta...

    Também Eduardo Schwalbach escreve referindo-se às suas capacidades multifacetadas: o talento que logo nos primeiros passos em cena se lhe adivinhou, tomou forma e alento, engrandeceu-se e acabou por dominar. A realização esmagou a profecia. Hoje é uma grande actriz sem sombra de dúvidas, na opereta, na comédia, no drama. O seu delicado espírito, o seu talento cheio de subtilezas perfumam-lhe todas as personagens que interpreta. 

    A partir de 1919, Palmira Bastos está no Teatro Nacional D. Maria, como figura destacada da Companhia Amélia Rei Colaço - Robles Monteiro.

    Durante mais de trinta anos foi aí acumulando sucessos até à destruição desse teatro num incêndio na década de sessenta.

    A companhia, com todo o seu elenco, passou a atuar no Teatro Avenida. Deste modo, Palmira Bastos, voltou a um dos teatros do início da sua carreira, onde permanece até ao fim da sua carreira.

    Muitas homenagens, prémios e condecorações portuguesas e estrangeiras lhe foram concedidas.

    De entre estas manifestações de apreço, uma houve que marcou profundamente a sensibilidade da artista: a homenagem dos seus conterrâneos.

    A 22 de setembro de 1962, a população de Aldeia Gavinha recebeu festivamente a atriz, descerrando na casa onde nascera uma placa alusiva a esse facto. Por esta altura recebe pela sua atuação na peça O Ciclone, de Somerset Maugham, o prémio Lucinda Simões, atribuído pelo SNI.

    No dia dos seus anos, a 30 de maio de 1965, Palmira Bastos, que entretanto se despedira das atividades teatrais, é alvo de uma calorosa homenagem nacional.
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