15 de Dezembro de 2017
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Freguesia de Olhalvo
Olhalvo, Pocariça, Penafirme da Mata
 
    Freguesia criada em 1612, a partir do desmembramento do priorado de Aldeia Gavinha, manteve-se como curato dependente da antiga matriz até 1834. Orago, Nossa Senhora da Encarnação.

    Tem uma área de 8,24 km². Confronta a norte com as freguesias de Ventosa e Abrigada; a sul com a freguesia de Aldeia Gavinha; a nascente com a freguesia de Meca e a poente com as freguesias de Ventosa e Aldeia Gavinha.

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Olhalvo 


Olhalvo. década de 30

    Aparece em 1497 como A do Olhalvo; em 1527 como Olhalvo. Nestas datas era cabeça de vintena.

    “Sobre a etymologia da palavra Olhalvo apenas podemos dizer que em escripturas antigas encontra-se com ortographia diversa, por exemplo, uns a dão com a Dalhalvo, e outros Adilhalvo, A-do-olho-alvo, etc., o que nada explica da sua origem" escreve Guilherme Henriques.

    Os dados demográficos disponíveis mostram-nos uma terra em permanente crescimento, à exceção de um período entre inícios e meados do século XVIII. Em 1497 tem 10 fogos; em 1527, 20; em 1712, 60; em 1758, 49; em 1869, 90 e 389 habitantes, 199 do sexo masculino, 190 do feminino; e em 1911, 145 fogos e 651 pessoas.

    Em meados do século XVII se inicia a história do antigo Convento de Nossa Senhora da Encarnação, de Carmelitas Descalços, que existiu neste lugar. Teve origem no pagamento de uma promessa, por parte de D. Manuel da Cunha, Bispo de Elvas, que, doente, na sua quinta da Espiçandeira (Quinta de D. Carlos), melhorara graças ao auxílio da Senhora da Encarnação de Alenquer. A promessa consistia na construção de uma igreja de sua invocação, o que veio a acontecer em Olhalvo, para onde se transferiu a imagem de Alenquer. Em 1646 lavram-se as escrituras patronais e, no ano seguinte, instalam-se, nas imediações de Olhalvo, os primeiros religiosos, que ainda no mesmo ano tomam posse da nova igreja, hospício e terras pertencentes.

    Passados poucos anos, novas obras de ampliação se iniciarão, envolvendo algumas demolições, obras muito demoradas, visto que ainda não estavam prontas quando em 1755 ocorreu o Terramoto. Este derrubará as abóbodas do corpo e da capela-mor da igraja e arruinará os dormitórios. As obras terminarão só em 1833, ano anterior à extinção das Ordens Religiosas.

    Convento e cerca serão vendidos em leilão, em 1841, ao Visconde de Fonte Arcada. Em 1864 reside aqui o 1.º Barão de Alenquer. 

    A igreja conventual, a requerimento da Junta de Paróquia, datado de 1863, passou a igreja matriz da freguesia.

    A sua capela-mor serve de panteão aos Cunha, família do fundador. Além de D. Manuel da Cunha, que faleceu em 1658, encontram-se aqui sepultados: o célebre descobridor Tristão da Cunha (1460 – 1539), primeiro governador da Índia; Simão da Cunha, falecido em 1529, general do mar da Índia; Rui da Cunha, falecido em 1559, copeiro-mor de D. João III; e outro Simão da Cunha, falecido em 1624, copeiro-mor de D. Sebastião.

    Em 1663 transferiu-se para Olhalvo o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, de mulheres, até aqui, e desde a sua fundação, em 1650, instalado em Aldeia Gavinha. A partir de uma pequena casa de habitação, junto à qual logo se construiu uma pequena igreja, se foram melhorando e ampliando as instalações, comprando casas e quintais vizinhos. A extinção desta casa aconteceria em 1874, com a venda dos bens do recolhimento – casas, cerca e igreja – pela última regente, D. Maria do Carmo de Jesus, a João da Cunha Costa e Silva, professor de instrução primária em Olhalvo. Nas casas funcionaram depois as aulas de instrução primária. Sendo demolidas mais tarde, ali se construiu o atual edifício escolar, restando atualmente, do antigo recolhimento, apenas a pequena capela de Nosso Senhor dos Aflitos. 

    Em Olhalvo se instalou, em 1720, um ramo da família Goes, de Damião de Goes, através do casamento de António de Goes Sottomayor com D. Mariana Josefa Barreto, natural daquele lugar. Deste António de Goes, que foi o 7.º administrador do morgado de Monte de Loios, houve três filhos: António, que foi o 8.º administrador do morgado, Damião, que faleceu na Índia, e Francisco de Goes Sottomayor, que sucedeu ao irmão António na administração do vínculo. Como nenhum teve filhos, este Francisco de Goes, chegado à idade de 84 anos, em 1822, passou a administração do morgado a seu primo, neto de uma irmã de seu pai, Vicente Paulo de Figueiredo de Goes Sottomayor, de Setúbal, casado com D. Maria Agostinha Barbosa du Bocage, irmã do famoso poeta, que por essa razão se mudam para Olhalvo.

    Em Setembro realizam-se aqui os festejos em honra do Mártir São Sebastião. A sua organização é da responsabilidade da Sociedade Filarmónica Olhalvense, fundada em 1918, terceira coletividade, em antiguidade, do concelho de Alenquer.

    Saindo de Olhalvo, no sentido da freguesia da Ventosa, encontra-se o sítio do Cruzeiro, assim chamado por ali se achar um destes monumentos, mandando colocar, em 1861, por João da Cunha Costa e Silva.

    Guilherme Henriques descreve a povoação de Olhalvo, em 1873, como “uma das mais opulentas e aceiadas d’este concelho”, justificando: “possue boas ruas e largas; bellas casas, novas, no gosto moderno ou velhas, mas conservadas com todo o aceio; fontes bem construidas e com fartura de boas agua; em uma palavra, é uma terra modelo”.

    Uma daquelas fontes ostenta a data de 1827.

    Na Quinta da Margem da Arada, se encontraram vários vestígios arqueológicos romanos. De entre eles se destacam dois cipos, que hoje se encontram no Museu Arqueológico do Carmo. Há notícia de um outro, cujo paradeiro se desconhece, e que tinha a seguinte legenda: D. M. / ANTONIAE / MAXIMAE / ANN XXXII / CAESIAE AMOENA / MATER FILIAE /  PIETENTISSIMAE / H. S. E.

    Na primeira metade do século XIV pertenceu a mesma quinta a Lopo Fernandes Pacheco, senhor de Ferreira de Aves. No século XVII estava na posse da família Arrais de Mendonça, cuja sepultura, brasonada, se encontra na igreja paroquial de Olhalvo. No princípio do século seguinte acha-se em poder de Diogo Marchão Temudo, desembargador do paço, cuja descendência se virá a ligar aos Nápoles Noronha, antepassados maternos de D. Tomás de Nápoles Noronha e Veiga, 1.º Visconde de Alenquer, proprietário desta quinta durante a segunda metade do século XIX.
 
 
Pocariça

    Chamou-se antigamente Monte Gracioso.

    Compunha-se apenas de dois fogos em 1497, tantos quantos ainda existiam 30 anos mais tarde. No início do século XVIII eram já 13 e em 1758 eram 19. Crescerá bastante no século XIX, atingindo os 56 fogos, em 1873, habitados por 253 indivíduos, 118 do sexo masculino e 135 do feminino. Em 1911 alcançara já o número de 456 habitantes, distribuídos por 98 fogos.

    À entrada do lugar encontra-se o painel das almas. Este painel foi aqui colocado em 1796 por João Henriques. Em 1908, César José Antunes mandou acrescentar-lhe uma cruz, ao centro da qual se acha um pequeno azulejo com o tema das almas do purgatório, que devia pertencer ao primeiro edificado.

    Realiza-se aqui, de três em três anos, em setembro, um círio à Senhora da Nazaré. Também se festeja o São Martinho, no seu dia. A organização destes festejos é atualmente da responsabilidade da Associação Recreativa da Pocariça, fundada em 1970.

    A igreja de Nossa Senhora da Nazaré e de S. Pedro é de construção recente. Concluiu-se em 1990.

    No sítio das Surraipas, junto deste lugar, existem águas com fama de minero-medicinais.
 
 
Penafirme da Mata

    Os primeiros dados demográficos que conhecemos são para o princípio do século XVIII: 12 fogos, que aumentariam para 17 até 1758. Um século mais tarde, em 1869, serão já 32 os fogos e 146 os habitantes, 80 do sexo masculino, 66 do feminino. Nas quatro décadas seguintes verá este número aumentado para mais do dobro: 72 fogos e 343 moradores, registados em 1911.

    Realiza-se aqui, de três em três anos, na primeira semana de setembro, um círio em honra de Nossa Senhora da Nazaré. Anualmente, em maio, há festa popular. A organização destes festejos cabe ao Centro Cultural e Desportivo de Penafirme da Mata, fundado em 1971.

    Próxima deste lugar está a Quinta de São José da Laje. Nesta quinta passou a sua infância Frei João de Nossa Senhora, nascido em 1701 no lugar de Freixial de Baixo, freguesia de Aldeia Gavinha. Em meados do século XVIII pertencia a Monsenhor José Ferreira de Abreu, cujas armas se encontram pintadas no guarda-vento da capela, dedicada a São José, outrora (1722) de invocação de Nossa Senhora do Parto.
 
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