12 de Dezembro de 2017
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Cadafais
Cadafais, Refugidos, Casais da Marmeleira, Preces, Carnota de Baixo
    
    Tem uma área de 9,38 km². Confronta a norte com a freguesia de Santo Estevão; a sul com os concelhos de Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira; a nascente com a freguesia do Carregado e a poente com a freguesia de Carnota.
    
    Antigo orago, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora do Azambujeiro. Orago posterior, Nossa Senhora da Assunção. Foi curato da apresentação da irmandade do Santíssimo Sacramento da mesma freguesia. A igreja matriz data de 1550.

    Esta freguesia é atravessada pela Ribeira de Refugidos. Tiveram muita fama os seus vinhos brancos.

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Cadafais 
   
Cadafais, antiga igreja

   Cadafais, certamente plural de cadafal, que segundo alguns eruditos é o mesmo que cadaval, derivado de cádava, aponta para uma origem medieval, para os tempos do princípio da nacionalidade.

    A primeira notícia que Guilherme Henriques tem deste lugar é a que lhe chega através de Frei Martinho do Amor de Deus e refere-se ao ano de 1435, quando foi completamente arrasado por um terramoto, que deixou com vida apenas duas crianças.

    Se a informação está correta, foi rápida a recuperação. Em finais daquele século conta já 11 famílias, número que quase triplica até 1527: 31 fogos. Nos primeiros anos do século XVIII esse número ascendera a apenas 42. Daqui até 1758 verificará novamente um crescimento muito acentuado, alcançando os 200 habitantes em 70 fogos. Depois parece ter o crescimento estabilizado por estes valores. Em 1873 o número de fogos baixara para 62, mas o de habitantes subira para 235. Em 1911 contam-se apenas mais um fogo e oito indivíduos do que em 1873.

    A igreja matriz encontra-se em lugar um pouco afastado do centro da povoação. A sua localização aqui prende-se com uma velha lenda que conta que Nossa Senhora aparecera num zambujeiro neste mesmo local. De então para cá se construíram e reconstruíram vários templos. Edificada talvez nos começos do século XVI - como parecem querer comprovar os restos de um pórtico manuelino hoje colados a um muro próximo - foi a capela de Nossa Senhora das Candeias, ou Nossa Senhora do Zambujeiro, orago original da freguesia.

    A igreja matriz, primitiva, edifício de arquitetura simples, consta ter sido construída em 1550 por Vasco de Carvalho, que nela ficou sepultado, como mais tarde sua mulher e filhos. Pertence hoje ao Museu Municipal o fecho de abóbada armoriado da sua capela-jazigo.

    Da sua grande reconstrução, em 1680, resta hoje, isolada, a torre sineira. A igreja foi demolida, por ameaçar ruína, e em seu lugar, e quase no mesmo local, se construiu, na década de cinquenta do século XX, a igreja atual, mais pequena que anterior, mas onde se terão empregado alguns materiais daquela, nomeadamente alguns azulejos do século XVII, o baixo relevo do frontal do altar-mor, em madeira policroma, provavelmente do mesmo século, e a pia batismal, talvez do século XVI. 

    Em 1855, na parede da igreja, foram encontrados dois grandes cipos romanos de sepultura, que hoje se conservam no adro, a par de outros elementos coevos, sugerindo a existência de uma povoação romana neste sítio. Uma pertenceu à sepultura de Terêncio Permício, dedicada por sua mãe Júlia Festina, e outra da sepultura de Marciano Fabrício, filho de Caio Marciano, dedicada por Severina Florila.

    Entre os soldados portugueses que, durante o século XVI, foram prestar serviço na índia, encontra-se Gabriel do Rego, de Cadafais.

    As festas em honra de Nossa Senhora da Assunção realizam-se no último fim de semana de julho, ou primeiro de agosto. A organização destas festas cabe ao Centro Recreativo, Cultural e Desportivo de Cadafais, fundado em 1987.

    Na Quinta da Ponte, próxima dos Cadafais, na estrada que liga ao Carregado, existe ainda a velha ermida de Nossa Senhora da Conceição, mandada fazer em 1623 por D. Guiomar Loba, viúva de Manuel de Mesquita Perestrelo. Por alturas da Restauração, pertencia esta quinta ao escritor Agostinho Manuel de Vasconcelos, que por se haver envolvido, com outros fidalgos, numa conspiração contra D. João IV, teve trágico fim.
 
 
Refugidos

    Para Guilherme Henriques, a mais verosímil das suposições propostas pela tradição para a origem deste lugar, é a de que terá tirado o nome dos mouros que nele se refugiaram, após a tomada de Alenquer, por D. Afonso Henriques, aproveitando-se das regalias que este monarca lhes concedeu, em 1180. Tal como para Cadafais, a primeira notícia que este autor tem do lugar é a que se refere às chuvas e terramoto ocorridos em 1435 que lhe causaram graves prejuízos. Entre estes conta-se a destruição pelas cheias da Azenha dos Refugidos que se andava reedificando, facto que para Henriques é prova da antiguidade do lugar.

    Mas se o atual lugar de Refugidos surgiu na Idade Média, são abundantes os testemunhos de ocupações pré-históricas. Hipólito Cabaço explorou as imediações do lugar em 1932, localizando várias estações (Gruta dos Refugidos, Vale da Golfa, Caverna da Estrada), onde recolheu abundante espólio dos períodos paleolítico e eneolítico, paleontológicos e antropológicos, hoje dividido pelos museus de Alenquer (que tem o seu nome) e da Faculdade de Ciências do Porto. Logo no ano seguinte à descoberta, em 1933, Alfredo de Athayde publicou Ossadas pré-históricas da gruta dos Refugidos.

    No princípio do século XVIII contava 12 fogos. Em 1873 eram já 32 e 137 indivíduos, números que pouco aumentarão até 1911: 38 fogos e 143 habitantes.

    Segundo a tradição, os franceses, em 1808, saquearam este lugar e mataram um lavrador no sítio denominado Pedro da Paciência.

    Festeja-se aqui São João, em junho. A organização das festas é da responsabilidade do Centro Cultural Recreativo e Desportivo de Refugidos, fundado em 1982.
 
 
Casais da Marmeleira

    “Povoação muito espalhada”, assim a descreve Guilherme Henriques em 1873, chamou-se durante séculos simplesmente os Casais e só já no século XX adotou o distintivo da Marmeleira, retirado de uma propriedade confinante com a estrada que o atravessa. Essa propriedade, o Casal da Marmeleira, pertencia na segunda metade do século XIX a Rita Anes.

    A “povoação muito espalhada”, composta por casais, contava apenas dois fogos em 1497, mas estava em crescimento. Em 1527 conta já sete, mas está ainda muito longe dos 46, habitados por 213 indivíduos, que conta quando Henriques a descreve.

    Aqui existia, em meados do século XVIII, uma ermida de Santo António, de que então era padroeira a viúva de António Lobo da Gama, da cidade de Lisboa.

    Pelas imediações deste lugar andou, por meados do século XIX, o geólogo Carlos Ribeiro, encontrando vestígios da presença humana em tempos pré-históricos, como ele próprio refere, na sua Descrição do Solo Quaternário das Bacias Hidrográficas do Tejo: “Nas camadas dos Casais do Carregado encontram-se em areeiros alguns calhaus de silex do peso de 2 a 8 quilos, e raras lascas e peças pequenas da mesma substância. Nos calhaus percebe-se que algumas lascas haviam sido separadas antes de serem envolvidas na massa que os contem e um deles apresenta além disso a sua superfície escavada em algumas partes e tão polida nestas concavidades que não deixa a menor dúvida de ser isto devido ao trabalho do homem”.

    Em 1801 existia nos Casais um forno de cal, propriedade de João Pereira, do mesmo lugar.
 
 
Preces

    Pequeno lugar, parece ter tido origem, relativamente recente, na quinta ou casal das Preces, que em 1873 pertencia Vicente Joaquim da Silva.

    Santo António é aqui festejado, em junho, organização do Centro Recreativo, Cultural e Desportivo de Preces, fundado em 1989.
 
 
Carnota de Baixo

    Carnota ou Carnota de Baixo foi o nome de um antigo lugar, extinto muito antes de 1896, quando Guilherme Henriques fez dele a seguinte descrição: “Foi, em tempo, uma pequena aldeia de uns 8 visinhos que ficava em frente da quinta da Carnota de Baixo, na freguezia dos Cadafaes, pertencente hoje ao Ex.mo Duque de Palmella. Havia n’ella uma ermida da invocação do Bom Jesus, de que falla o Santuario Mariano; mas hoje nada existe senão os alicerces”.

    A Quinta da Carnota de Baixo pertenceu a dois descobridores do Rio Maranhão: Além Pegado, e seu filho, Lourenço az Pegado.

    Na mesma quinta nasceu, em meados do século XIX, a atriz Margarida Clementina, irmã de Ana Pereira, também atriz.

    É ainda Guilherme Henriques, citando parte de uma carta escrita pelo alenquerense Fernando de Antas da Cunha e Brito, datada de 1785, quem nos informa que neste lugar e naquela data existia uma fábrica de loiça fina. Em julho de 1986 recolheu-se no Museu Municipal um fragmento cerâmico aqui encontrado, vidrado a branco, com motivos decorativos coloridos e a palavra “Natal”, e que talvez pertencesse a alguma peça produzida na referida fábrica.

    Em 1801 existia aqui uma outra fábrica, de telha e tijolo, de que era mestre João Rodrigues.
 
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