12 de Dezembro de 2017
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Freguesia de Abrigada
Abrigada, Atouguia, Bairro, Cabanas do Chão, Estribeiro

    
   Há informações de que a freguesia existia já no século XIV, devendo a sua fundação ser posterior a 1259. Foi curato, anexo à freguesia de São Pedro da vila de Alenquer. Até 1854, teve sede no lugar de Atouguia das Cabras, a qual passou, nesse ano, para o lugar de Abrigada. O arquivo paroquial remonta a 1611. Orago, Nossa Senhora da Graça. A localização da igreja é assim descrita, nas Memórias Paroquiais (1758): “A parochia esta fora de todos os lugares em hum campo dezerto com distancia quazi a mesma de huns e outros lugares...”.

   No sopé da Serra do Montejunto, a freguesia de Abrigada ocupa uma área de 39 km². Confronta a norte com o concelho do Cadaval; a sul com as freguesias de Olhalvo e Meca; a nascente com a freguesia de Ota e a poente com as freguesias de Cabanas de Torres e Ventosa.

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Abrigada 

    
Abrigada, cerca de 1930
   
   Diz a tradição que o lugar de Abrigada se situaria originariamente mais próximo à encosta do Montejunto e que o seu nome primitivo fora o de Amieiro. Certo é que em finais do século XV já o topónimo era o atual, que alguns querem fazer derivar da palavra de origem celta Brigada, significando povoação. Contava 14 fogos em 1497, 23 em 1527, 50 em 1712.

   A ocupação deste espaço é, de facto, muito antiga, como provam os achados arqueológicos. Hipólito Cabaço localizou no lugar, ou imediações, uma estação da época do Bronze e recolheu vários machados polidos. Poucos quilómetros a norte de Abrigada se encontram as estações paleolíticas de Vale do Trabum e Barreira Vermelha, ambas localizadas igualmente por Cabaço, revelando a primeira também materiais do período Eneolítico.

   Mais recentemente, por 1997, numa das encostas da Serra do Montejunto, foi descoberta numa gruta conhecida por Algar do Bom Santo, uma importante necrópole neolítica, com cerca de cinco mil anos.

   Bento Pereira do Carmo refere, em meados do século XIX, a descoberta de moedas romanas em Abrigada e outras partes do concelho por “achadores (...) atraídos mais pela natureza e peso do metal, do que pelo seu feitio”.

   Origem muito antiga tem também a Quinta de Abrigada, a escassa distância a norte do lugar, e que, à semelhança deste, se terá primitivamente chamado Quinta do Amieiro. Já existia nos princípios do século XVI, pertencendo então a Fernão Balones, que depois a vendeu a Fernando Alv(ar)es Cabral. Foi mais tarde adquirida por Gonçalo Vaz, que a acrescentou e melhorou. Este foi pai de Gonçalo Vaz de Araújo que a virá a herdar e a instituir em morgado, com a condição de ser fundada uma capela e casa para pousada dos passageiros pobres. A capela foi dedicada a São Roque, vindo a imagem do Monte Santo, nas faldas do Monte Junto.

   Construída no centro da povoação, esta capela de São Roque, tal como se nos apresenta hoje, resulta de uma profunda remodelação que sofreu em finais da década de sessenta do século XX. Da primitiva igreja deve ser o arco triunfal. A imagem do padroeiro já não é a original, pois data de finais do século XVIII. As festas em honra de São Roque realizam-se no primeiro fim de semana de agosto. A importância crescente de Abrigada virá a ser reconhecida oficialmente em 1854, com a passagem da sede de freguesia do lugar de Atouguia das Cabras para aquele.

   Dois anos mais tarde, em 1856, Francisco Rafael Gorjão Henriques da Cunha Coimbra Botado e Serra, funda e instala nos terrenos da sua Quinta de Abrigada, aproveitando a existência de um banco de argila refratária, uma fábrica de produtos cerâmicos. A Companhia de Produtos de Loiça d’Abrigada, de que foram diretores o marechal Duque de Saldanha, presidente, e Júlio Caldas Aulete, secretário, não terá inicialmente alcançado o sucesso pretendido por “falta de conhecimento prático”, segundo Guilherme Henriques. Têm a data de 1860 ações de 500$000 réis, que emitiu, sendo o capital de 60:000$000. Tinha sede em Lisboa. Em 1864 ainda funcionava, tendo como diretor João José da Fonseca. Paralisada a exploração, virá a ser alvo de nova tentativa “com melhor sucesso”, segundo o mesmo autor, embora a falta do capital necessário para investir em oficinas e maquinismo, aliada ao fraco consumo dos produtos obrigue a nova paralisação. Mas esta tendência de consumo inverter-se-á em pouco tempo, com a vulgarização das canalizações de água e de despejos e o crescente emprego industrial de tubos impermeáveis. Em 1873 fala-se já na intenção de se formar nova companhia, o que deve ter acontecido pouco tempo depois. Sob a designação de Fábrica da Abrigada, com depósitos no Carregado e em Lisboa, na Rua 24 de julho, produz e comercializa tubos, telhões e sifões de grés, barro e tijolos refratários, tubos de drenagem, etc.

   Sob a égide da Fábrica nascerá ainda no mesmo ano uma sociedade filarmónica, fundada 1 de dezembro. A Sociedade Filarmónica União e Progresso de Abrigada é presentemente, à beira de completar 150 anos de existência, a coletividade mais antiga do concelho de Alenquer.

   Em 1873 conta Abrigada 114 fogos, habitados por 470 indivíduos.

   Ao progresso de Abrigada verificado no século XIX não terá sido indiferente a inequívoca influência política e o peso social e económico de algumas famílias do lugar dentro do concelho de Alenquer.

   É longa a lista de abrigadenses que presidiram aos destinos do município. Entre Joaquim dos Santos Couto, presidente da primeira câmara constitucional de Alenquer em 1822-23, e Álvaro Joaquim Gomes Pedro, atual presidente, e desde 1975, encontram-se os nomes de João Maria da Silveira, em 1834; Domingos José da Silveira, em 1837-38; Francisco Solano, em 1846-47; José Daniel Valente, em 1907-08; Domingos de Mendonça Alves, em 1927-30; e Francisco Pinheiro Gorjão, em 1930-37.

   Para lá das fronteiras do concelho se projetaram os nomes de outros homens de Abrigada:

   Duarte Gorjão Henriques da Cunha Coimbra Botado e Serra, da Quinta de Abrigada, que viveu na primeira metade do século XIX, foi governador militar de Alenquer e escreveu: Memória sobre o procedimento havido com Sua Majestade a Rainha, analisado em frente da Constituição, Lisboa, 1823, a favor de D. Carlota Joaquina; O Século XIX explicado à vista da Bíblia, Lisboa, 1824; e vários artigos no jornal realista Trombeta Lusitana e na Gazeta Universal.

   Bernardo Gorjão Henriques (1786-1854) foi juiz conselheiro e ministro do reino de Saldanha entre 18 de dezembro de 1847 e 21 de fevereiro de 1848.

   Manuel Rafael Gorjão Henriques (1846-1918), general de engenharia, fez grande parte da sua carreira em Angola, Cabo Verde e Moçambique. Foi, entre outros cargos, par do reino, ministro e vogal da Junta Consultiva do Ultramar.

   José Maria Camilo de Mendonça, Visconde da Abrigada, nasceu neste lugar em 1815 e faleceu em 1885. Negociante de grosso trato na Praça de Lisboa, foi vice-cônsul da Bélgica, comendador da Conceição e fidalgo da Casa Real. Casou com uma filha dos primeiros viscondes da Baía. O título foi-lhe concedido em 1870.

   João Vicente da Silveira, Visconde da Silveira, nasceu em Abrigada em 1824 e faleceu em 1894. Médico da Real Câmara. O título foi-lhe concedido por D. Luís I, em 1886.

   Mariano Cirilo de Carvalho, político, professor de matemática e jornalista, parente próximo do Visconde da Silveira, nasceu em Abrigada em 1836, vindo a falecer em 1905. Concluiu os cursos de Farmácia e de Matemática. Foi lente substituto de Matemática da Escola Politécnica (1863). Iniciou-se no jornalismo na Gazeta de Portugal (1864-1867). Enquanto jornalista, foi fundador de vários títulos: Notícias, Novidades, Correio Português e Diário Popular. Filiado no Partido Reformista, foi deputado (1870-74 e 1878-1884). Entretanto acompanhara os seus correligionários na fusão com o Partido Histórico, de que resultou a criação do Partido Progressista (1876). Foi várias vezes ministro da Fazenda (1886-89 e 1891-92.).

   Em abril de 1906 publica-se o primeiro número de O Povo D’Alenquer, semanário progressista. Apesar do título, do facto de ser datado de Alenquer e composto e impresso em Lisboa, o seu diretor, António Mascarenhas, é de Abrigada “para onde deve ser dirigida toda a correspondência”, o que significa que a redação seria neste lugar. Será breve a direção de António Mascarenhas. O número 15, de 6 de agosto de 1906, tem já como diretor José Lobo, havendo a redação passado para Alenquer, Rua de Triana.

   Para além desta curta nota na história da imprensa periódica do concelho, relaciona-se Abrigada com outros três títulos apenas, todos eles boletins paroquiais: Despertar (1954-56), Aliança (1957-59) e Sinai (1961-?).

   Tem em Abrigada a sua sede, desde 1970, o Instituto de Beneficência Maria da Conceição Froes Gil Ferrão de Pimentel Teixeira, a Sãozinha (1923-1940), cujo processo de canonização decorre em Roma, na Congregação para as Causas dos Santos.
 
 
Atouguia das Cabras

    “Da origem do distinctivo d’este logar nada podemos dizer”, lamenta Guilherme Henriques, referindo-se ao das Cabras.

   Foi neste lugar a sede da freguesia de Nossa Senhora da Graça, provavelmente desde a criação desta, no século XIII ou XIV, até 1854, perdendo então esse estatuto para o lugar de Abrigada.

   Em 1320 já aqui existia uma igreja de S. Leonardo, com a sua colegiada.

   Localizada junto à ribeira de Ota, que atravessa o lugar, situa-se a capela de São Sebastião, simples, com alpendre, que guarda imagens do século XVII (São Sebastião e Santo António).

   Há uma referência a Atouguia no monólogo de Maria Parda, de Gil Vicente, pela importância que detinha como centro vinícola.

   Em 1497 conta apenas cinco vizinhos (fogos), número que ascende a 11, em 1527. Em 1712 são já 60.

   A decadência a que terá chegado na primeira metade do século XIX, motivando a transferência daqui da sede da paróquia, é ainda observada por Henriques, em 1873: “É uma povoação irregular e pouco asseiada”. Por este tempo conta 42 vizinhos e 170 almas, número que se eleva ligeiramente até 1911: 46 fogos, 229 indivíduos.

   Ainda aqui se realiza a “Festa dos Leilões”, em honra de São Sebastião e S. Vicente. Dura três dias, em janeiro. No último, realiza-se a procissão e são leiloados “cargos”, armações de madeira forradas de murta que suportam bolos (redondos e de ferradura), laranjas, e são enfeitadas com fitas encarnadas. Há-os grandes e pequenos. Atualmente a organização destes festejos é do Atouguia Futebol Clube, fundado em 1961.
 
 
Bairro

    A descoberta aqui, por Hipólito Cabaço, de alguns machados e formões polidos aponta para uma ocupação deste espaço no período eneolítico.

   Uma das explicações possíveis para a origem do topónimo Bairro é a de que derive de bárrio, ou seja, “local inculto e ermo cerca de outro cultivado e povoado e de certa e relativa importância”.

   Em finais do século XV, já com o nome atual, era cabeça de vintena. Conta sete vizinhos (fogos) em 1497. Trinta anos mais tarde conta já 13. Em 1712 são já 50.

   Em meados do século XVIII, refere-se o prior da freguesia de Santiago de Alenquer, nas Memórias Paroquiais, à existência aqui de uma fonte que secava completamente no inverno e brotava água em abundância no verão. Guilherme Henriques escreve, em 1873, que ignora se tal fonte ainda existe e acrescenta que tal fenómeno não é raro na natureza.

   O mais interessante conjunto arquitetónico do lugar é a Quinta do Bairro ou dos Chichorros, classificada como Imóvel de Interesse Público, cuja história parece remontar ao tempo de D. Dinis. Pertence à mesma família pelo menos desde o século XVI, os Sousa Chichorro-Siqueira Freire, que desde 1829 usam o título de Condes de São Martinho. Os edifícios atuais da casa e da capela devem datar de 1607, data inscrita na fachada desta última, o que aliás confirma a aparência exterior, de linhas sóbrias.

   Em 1873 conta o Bairro 89 fogos e 366 indivíduos, números que sofreram apenas um pequeno decréscimo até 1911: 77 fogos e 350 indivíduos. Talvez este seja um dos fatores que ajude a perceber a existência de uma filarmónica em 1891. Atualmente existe aqui o Centro Popular de Recreio e Cultura do Bairro, fundado em 1968, responsável pela organização dos festejos em honra de Nossa Senhora de Todos os Bens, no dia 20 de outubro.
 
 
Cabanas do Chão

    Segundo a tradição, a origem deste lugar relaciona-se com o mesmo facto que deu origem ao vizinho lugar de Cabanas de Torres, sede da freguesia do mesmo nome. Consta que a este local se chamara antes Vale Chã por se situar numa planície. Fundada a povoação, construídas as primeiras Cabanas, se lhe veio juntar do Chão, distintivo original do sítio, para que se não confundissem com as de Torres.

   O nome, assim composto, já existia nos finais do século XV.

   A descoberta de alguns machados polidos, por Hipólito Cabaço, faz remontar ao período eneolítico a presença humana neste antigo Vale Chã.

   O primeiro quartel do século XVI é de grande crescimento: dos 3 fogos que conta, em 1497, passa para 21, em 1527. Não conhecemos as circunstâncias que influenciaram aquilo que aparenta ser uma estagnação ou decréscimo da população - em 1712 tem somente 20 fogos. Daqui até 1873 a tendência será inversa pois chegará a esta data contando 324 indivíduos, em 75 fogos. E mais se acentuará daqui até 1911, quando atinge o número de 553 habitantes, em 111 fogos.

   Existe aqui uma capela dedicada a São Lourenço, festejado em agosto. A organização destes festejos, bem como das Marchas Populares, no dia de São Pedro, é atualmente da responsabilidade do Centro de Instrução Musical e Recreio de Cabanas do Chão, fundado em 1955.
 
 
Estribeiro

    Guilherme Henriques diz ser difícil explicar a derivação deste topónimo. Isto porque a sua grafia nos aparece de várias formas: Destrabeira, Estrabeiro (1636), Destrabeiro (1712), o que pode realmente confundir quem se proponha desvendar a sua origem. A forma mais constante é também a que encontramos mais remotamente: Estribeiro, em 1527. Nesta data contava o lugar sete fogos, número que duplicará até 1712 (15 fogos). Este número eleva-se a 25, em 1873, contando 106 habitantes, e desta data até 1911 duplica novamente: 50 fogos e 216 indivíduos.

   Existe aqui uma capela dedicada a Santa Ana, festejada anualmente no último fim de semana de julho. A organização destes festejos é atualmente da responsabilidade do Sport Clube Estribeiro, coletividade fundada em 1975.
 
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